Marcelo Odebrecht será ouvido para confirmar delação premiada

Foto: Rodolfo Burher/Paraná Portal
Foto: Rodolfo Burher/Paraná Portal
Com BandNews FM Curitiba

O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, deve participar de uma audiência amanhã (27) para confirmar a intenção de assinar a delação premiada. O procedimento é padrão e acontece com todos os delatores. O objetivo é esclarecer se o investigado vai confessar crimes e apontar outros envolvidos de forma espontânea.

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Mesmo depois da morte do ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), juízes auxiliares de Teori Zavascki dão sequência aos acordos de colaboração com executivos ligados à Odebrecht.

Preso em Curitiba, Marcelo Odebrecht deve ser ouvido pelo juiz Márcio Fontes, um dos mais próximos ao ministro Teori Zavascki – que morreu após a queda de um avião na quinta-feira passada (19), no Rio de Janeiro. A audiência será na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde está detido o herdeiro da empreiteira Odebrecht. Esse encontro deve ser rápido, já que as perguntas feitas pelo juiz são objetivas.

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A presidente do STF, Cármen Lúcia, determinou nesta segunda-feira (23) que os auxiliares do ministro Teori Zavascki dessem sequência ao cronograma de homologação das colaborações. O acordo com executivos ligados à Odebrecht envolve 77 pessoas.

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A Justiça precisa ter certeza de que os novos delatores não foram pressionados de alguma forma a colaborar. Confirmando que os executivos vão detalhar os crimes de corrupção na Petrobras de forma espontânea, o processo tem continuidade. O que a Corte ainda precisa definir é o ministro responsável pelas homologações. Até então, quem aceitava os termos, ou não, era o ministro Teori Zavascki. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, ainda define qual a melhor forma de escolher o novo relator da Lava Jato. Possivelmente esse posto será determinado por meio de um sorteio.

Segundo os auxiliares de Teori, a análise dos depoimentos está avançada e o ministro pretendia homologar os termos no começo de fevereiro. O Supremo Tribunal Federal não tem data para resolver o impasse. Ontem (25), o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu urgência na decisão sobre o novo relator.

Acordo de leniência

A Odebrecht, maior empreiteira do país, assinou um acordo de leniência, uma espécie de delação premiada de empresas, com a força-tarefa da Operação Lava Jato. No acordo, além de revelar práticas ilícitas cometidas por funcionários e diretores, a empresa compromete-se a pagar uma multa, cujo valor gira em torno de R$ 6,8 bilhões.

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Em comunicado oficial, a Odebrecht pediu desculpas ao país e admitiu ter cometido “práticas impróprias” em sua atividade empresarial. “Desculpe, a Odebrecht errou”, diz o título do comunicado público. “Foi um grande erro, uma violação dos nossos próprios princípios, uma agressão a valores consagrados de honestidade e ética”, diz o comunicado da empreiteira acusada pelo Ministério Público Federal de participar do cartel que fraudava contratos da Petrobras.