Moro adia depoimento de advogado de Lula

Foto: Comunicação Social JFPR

O juiz Sérgio Moro aceitou o pedido dos advogados de Roberto Teixeira para o adiamento do interrogatório, por conta de problemas cardíacos. Teixeira é réu na ação penal que apura a compra compra pela Odebrecht de um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula. O depoimento estava marcado para esta quarta-feira (11) e foi adiado para o próximo dia 20.

“Defiro, redesignando o interrogatório de Roberto Teixeira para dia 20/09/2017, às 13:30”, determinou Moro.

No mesmo despacho, Moro decidiu manter o depoimento presencial de Branislav Kontic, réu na mesma ação penal.

Segundo Moro, “não cabe à Defesa de Branislav Kontic, ciente da designção da audiência presencial desde 20/07/2017, requerer, a dois dias de seu interrogatório, a mudança na forma de realização do ato, pretendendo agora videoconferência. Inviável tomar essa medida no presente momento e sem um motivo robusto”, afirmou Moro.

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Atestado Médico

De acordo com os advogados, Teixeira, que atuou como advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi internado na última terça-feira (5) devido à problemas no coração. Ele já recebeu alta do hospital, mas necessita de “repouso absoluto” e não poderá se ausentar de São Paulo.

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Relatório médico“[…] Em função da “gravidade dos sintomas recente”, o requerente, apesar de ter recebido alta hospitalar, acha-se em observação, em repouso, impossibilitado de ausentar-se de São Paulo. Assim, pela presente, renova-se que o requerente ainda não poderá comparecer para ser interrogado no próximo dia 13, requerendo que o ato seja realizado quando não houver mais risco a sua saúde, comprometendo-se a defesa a manter esse Juízo sempre atualizado”, declarou a defesa de Teixeira que anexou um relatório médico do réu ao processo.

Denúncia

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula teria recebido o terreno, avaliado em cerca de R$ 12,4 milhões, como vantagem indevida por contratos da empreiteira com a Petrobras. A obra nunca foi realizada. O negócio, de mais de R$ 12 milhões, teria sido fechado com a intermediação do ex-ministro Antonio Palocci e de seu assessor, Branislav Kontic, também réus da ação penal.

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A denúncia também narra o fato de que Lula também teria recebido o apartamento vizinho ao que mora por meio de vantagens ilícitas. Nesse caso, o MPF aponta que foram usados mais de R$ 504 mil na compra do imóvel e que teria sido adquirido pelo engenheiro Glaucos da Costamarques, primo de José Carlos Bumlai, amigo de Lula, que seria uma espécie de testa de ferro da operação.

A defesa do ex-presidente nega as acusações. De acordo com os advogados, Lula jamais recebeu a propriedade de um imóvel para o Instituto Lula e ele não é “dono” ou beneficiário de qualquer patrimônio da instituição.

Novo depoimento de Lula

A audiência em que Sérgio Moro e Lula vão ficar cara a cara novamente está marcada para a próxima quarta-feira (13). Os advogados de Lula tentaram adiar a oitiva afirmando que não tiveram acesso ao acordo de leniência do Grupo Odebrecht e às cópias das informações contidas nos sistemas de comunicação e registro de pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, mas o magistrado negou o adiamento.

Primeira condenação de Lula

Lula foi interrogado pela primeira vez em Curitiba no dia 10 de maio, quando a cidade foi palco de manifestações populares e um grande aparato de segurança foi mobilizado para a audiência. O esquema custou aos cofres públicos pelo menos R$ 140 mil.

Na primeira ação penal que foi julgada por Moro, que tratava sobre triplex no Guarujá (SP) e vantagens indevidas pagas ao ex-presidente pela empreiteira OAS, Lula foi condenado a 9 anos e seis meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.