Moro destaca influência política de Cunha e nega transferência

Brasília - O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha chegou na manhã de hoje à capital para depor no processo em que é acusado de cometer desvios no FI-FGTS Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, negou mais uma vez, nesta segunda-feira (20), um pedido de transferência do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para Brasília ou Rio de Janeiro.

Em despacho publicado no fim da manhã, Moro destacou influência política de Eduardo Cunha. “Não é conveniente a transferência definitiva do condenado para Brasília ou para o Rio de Janeiro, considerando o modus operandi da prática de crimes pelo condenado, com utilização de sua influência política para obtenção de vantagem indevida mediante corrupção”, diz o despacho. (Veja a íntegra).

“Sua influência política em Curitiba é certamente menor do que em Brasília ou no Rio de Janeiro. Mantê-lo distante de seus antigos parceiros criminosos prevenirá ou dificultará a prática de novos crimes e, dessa forma, contribuirá para a apropriada execução da pena e ressocialização progressiva do condenado”, acrescenta Moro.

Cunha deve ser mantido preso no Complexo Médico-Penal (CMP) em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde permaneceu por um ano até ir para Brasília para participar de audiências relacionadas a um processo a que responde na Justiça Federal do DF referente à Operação Sépsis. Agora, Cunha está no Complexo Penitenciário da Papuda, mas deve retornar ao Paraná nesta terça-feira (21).

O processo no DF apura o desvio de recursos do FI-FGTS. Cunha já tem uma condenação na Operação Lava Jato. Ele foi preso em outubro de 2016 e condenado em março a 15 anos e 4 meses por crimes de corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Outro pedido de transferência já havia sido negado pelo juiz Sergio Moro.

Entre os argumentos da defesa no pedido de transferência está a “redução de custos com o traslado do preso”; já que os escritórios dos advogados dele ficam em Brasília; a ex-esposa dele mora em Brasília; e porque, antes de ser preso, ele morava no Rio de Janeiro e, assim, seria “mais fácil deslocar o núcleo familiar carioca até Brasília do que a Pinhais”.

Entrada da galeria dos presos da Lava Jato no Complexo Médico Penal. Foto: Paraná Portal

Entrada da galeria dos presos da Lava Jato no Complexo Médico-Penal. Foto: Paraná Portal