MPF diz ter novas provas contra Lula

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Com Narley Resende

O Ministério Público Federal confirmou em petição protocolada nesta sexta-feira em um processo contra o ex-presidente Lula que recebeu da empreiteira Odebrecht conteúdo de um sistema chamado de My Web Day, que registrava o pagamento de propina da Odebrecht a agentes públicos e estatais e que pretende usar as informações contidas neste sistema para produzir novas provas no processo.

O processo julga o suposto recebimento de vantagens indevidas por Lula a partir da compra, pela Odebrecht, de um terreno em São Paulo onde seria instalada a sede do Instituto Lula.

Em razão dessa nova prova inserida nos autos, a defesa de Lula havia questionado o juiz Sérgio Moro na semana passada, com a intenção de suspender os interrogatórios do processo, incluindo o do ex-presidente, marcado para o dia 13 em Curitiba, por não terem tido acesso aos documentos do sistema. O juiz negou o pedido.

De acordo com a petição do MPF, a Odebrecht entregou no último dia 8, cópias de cinco discos rígidos com o conteúdo do My Web Day, que foram extraídas pelas autoridades suíças em um servidor hospedado naquele país. Chaves de usuários do sistema também foram entregues para possibilitar o acesso aos dados, que até então eram considerados sigilosos.

Segundo o MPF, de fato, é provável que novas provas relacionadas ao esquema de corrupção na Petrobras surjam a partir da avaliação do conteúdo.

A entrega do material faz parte do acordo de leniência firmado entre a empreiteira e o MPF. A colaboração impõe a empresa a apresentação de elementos que contribuam com as investigações da lava jato.

A Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria Geral da República está analisando todo o material entregue.

Para a defesa de Lula, a inclusão tardia dos documentos no processo compromete as 34 audiências e os 97 depoimentos de testemunhas realizados antes dessa data.

Além de Lula, a ação penal tem mais sete réus. Entre eles, o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci.

O Ministério Público acusa o ex-presidente de ter sido beneficiado por um terreno que teria sido comprado pela Odebrecht para o Instituto Lula – que nunca chegou a ser usado para essa finalidade.

A empreiteira também teria comprado um apartamento vizinho ao do ex-presidente, em São Bernardo do Campo.