MPF pede suspensão de transferência de Bendine para presídio

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

O Procurador da República Athayde Ribeiro Costa, do Ministério Público Federal (MPF), pediu a reconsideração da decisão do juiz federal Sérgio Moro que autorizou a transferência do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, da Superintendência da Polícia Federal para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

A petição foi protocolada na noite de segunda-feira (7), no sistema da Justiça Federal. “Considerando o relato do acautelado ALDEMIR BENDINE, o MPF requer, por ora, a suspensão da decisão que determinou a transferência para o CMP, com intuito de melhor avaliar as condições de visitação daquela unidade, bem como a real situaçao de sua familiar, consoante exposto na petição do evento 128”, afirma o documento.

Moro autorizou a transferência a pedido do delegado da Polícia Federal (PF) Igor Romário de Paula, na última sexta-feira (4). A defesa entrou com recurso alegando que uma das filhas de Bendine tem “desordens psiquiátricas” e o pai como principal referência afetiva e as visitas no presídio seriam inviáveis para a menina.

Prisão

Bendine foi preso no último dia 27, na 42ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Cobra. Ele é suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, ele realizou pagamento de impostos sobre o valor da propina para dificultar as investigações.

Ele está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF), no bairro Santa Cândida. A pedido da PF, Moro autorizou a transferência de Bendine para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Investigações

O juiz federal Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 3 milhões nas contas de Bendine. O valor bloqueado equivale à propina que Bendine teria recebido da Odebrecht. As investigações apontam o valor em espécie em três parcelas, cada uma de R$ 1 milhão. O repasse teria acontecido em um apartamento em São Paulo, alugado por Antônio Carlos.

Um dos argumentos que levaram o Ministério Público Federal a pedir a prisão preventiva de Bendine foi a compra de uma passagem só de ida para Portugal por parte do investigado. À petição, os advogados do ex-presidente da Petrobras anexaram o bilhete de volta adquirido por Bendine, com data marcada para 19 de agosto pedindo a revogação da prisão.

Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os R$ 3 milhões para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano.

 



Compartilhe:

Comentários