“Não traz argumentos novos, apenas insistência”, diz Moro ao negar novo pedido da defesa de Lula

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O juiz federal Sérgio Moro negou, nesta terça-feira, petição da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que fosse indicado um tradutor para passar para o português as informações contidas em inglês, espanhol e alemão em provas apresentadas pela Odebrecht e pelo Ministério Público Federal no processo em que o ex-presidente responde por recebimento de vantagens indevidas da Odebrecht através da aquisição de um terreno para sediar o Instituto Lula e do apartamento vizinho ao que reside em São Bernardo do Campo.
Ao indeferir o pedido, ratificando decisão do dia 27 de setembro, que já havia negado o mesmo pedido à defesa, o juiz criticou a atuação dos advogados de Lula dizendo que, na nova petição, requerendo a reconsideração da decisão do magistrado, a defesa não traz argumentos novos, apenas insistências. A defesa de Lula queria a tradução de informações constantes nos sistemas My Web Day e Drousys, que registravam a movimentação de propinas da empreiteira e que foram anexados ao processo após o acordo de delação premiada de seus executivos.
Ao negar o pedido de tradução, em setembro, Moro sustentou que “examinando os documentos mencionados pela Defesa, tratam-se de ordens de pagamento e extratos, com termos de fácil compreensão, ainda que em língua inglesa, como ‘account’, ‘date’, ‘by order’, ‘credit’, ou espanhola, ‘retiros’, ‘transacion’, ou meros cadastros bancários, caso dos anexos 4 e 5”. Segundo o juiz, o próprio trecho em alemão mencionado pela Defesa tem junto a ele o correspondente em inglês e apenas mensagem chavão que consta em várias mensagens eletrônicas, sem relevância para o conteúdo da prova. “São, portanto, os documentos de fácil compreensão. Então em princípio a tradução pretendida é desnecessária, motivo pelo qual indefiro o requerimento, salvo se melhor demonstrada a necessidade ou a dificuldade de compreensão da Defesa no prazo de cinco dias”.
Ao tentar demonstrar a necessidade da tradução, a defesa argumentou, na nova petição, que os documentos em língua estrangeira “devem ser traduzidos para o português, independentemente do conhecimento dos envolvidos, de modo a assegurar o pleno conhecimento de todos do conteúdo da documentação, recuperando, assim, a garantia da publicidade do processo e dos atos do Poder Judiciário”, argumento considerado “apenas insistência” pelo magistrado.