Odebrecht ‘pechincha’ e vai pagar US$ 2,6 bi em multas

Foto: Reprodução / Odebrecht
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Repórter Rafael Neves, do Metro Curitiba

A corte federal do Brooklyn em Nova York, nos Estados Unidos, determinou na segunda-feira (18) que o grupo Odebrecht pague US$ 2,6 bilhões em multas pelos crimes investigados na operação Lava Jato.
A sentença do juiz Raymond Dearie já era esperada pela empresa, porque foi uma homologação do acordo de leniência fechado com Brasil, EUA e Suíça e revelado no final do ano passado.
O trato original, porém, previa US$ 4,5 bilhões em multas da Odebrecht – mais US$ 2,3 bilhões da subsidiária petroquímica Braskem, totalizando US$ 6,7 bilhões –, mas o grupo afirmou não poder arcar com o valor.
O ressarcimento será dividido em três partes: US$ 2,39 bilhões (mais de 90% do total) virão ao Brasil, US$ 116 milhões à Suíça e US$ 93 milhões aos EUA.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), o dinheiro pago ao Brasil será usado para indenizar a Petrobras e “outras eventuais vítimas” lesadas pelo esquema de corrupção da empreiteira, conforme o acordo sob sigilo.
Os norte-americanos foram incluídos na divisão porque parte do dinheiro do ‘setor de propinas’ da Odebrecht circulou pelo país.
A Suíça, sede de bancos que a maioria dos investigados usou para receber as propinas, informou em um relatório no início de abril já ter bloqueado 1 bilhão de francos suíços (R$ 3 bilhões) dos envolvidos na Lava Jato e ter identificado mais de mil contas bancárias ligadas ao caso. Até agora, cerca de um quinto (R$ 615 milhões) já foi devolvido ao Brasil.
No total, de acordo com o MPF, o Brasil recuperou no exterior R$ 756 milhões desviados com a corrupção na Petrobras.
Investigações

Além das indenizações, a Odebrecht confessou ter pago propinas em 12 países, na América Latina e na África. O caso ainda é sigiloso para os próprios países, que só terão acesso às informações a partir de junho. Mas em alguns, como o Peru e a Colômbia, as investigações estão avançadas e os países fecham acordos paralelos com a Odebrecht. A empreiteira foi procurada para comentar a decisão da Justiça norte-americana, mas não quis se pronunciar