Palocci e Branislav prestam depoimento a Moro em processo que investiga propina da Odebrecht

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

O ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci e o assessor Branislav Kontic vão ser ouvidos pelo juiz federal Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, a partir das 10 horas desta quinta-feira (20), na sede da Justiça Federal, em Curitiba.

Os dois são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O processo é referente a 35º fase da Operação Lava Jato, batizada de Omertà. Esses são os últimos depoimentos desta fase do processo. Após os depoimentos, as defesas podem solicitar as  diligências complementares, em seguida, Moro determina o prazo para as alegações finais, última fase antes da sentença.

Em depoimento a Moro, o delator e empresário Marcelo Odebrecht, responsável pela empreiteira, confirmou que Palocci é o “Italiano” que aparece nas planilhas de pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, considerado pela Lava Jato como o setor de pagamento de propinas da empresa.

Em depoimento prestado na terça-feira (18) a publicitária Mônica Moura afirmou que o ex-ministro era quem a encaminhava quem iria receber os valores de caixa 2.

Palocci está preso desde o dia 26 de setembro na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Kontic foi preso no mesmo dia, mas liberado em 15 de dezembro após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Denúncia

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro Palocci estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal. Isso aconteceu entre 2006 e 2015. Nesse esquema, a interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados principalmente ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Ainda de acordo com o MPF, o ex-ministro também teria participado de uma conversa sobre a compra de um terreno pra a sede do Instituto Lula, feita pela Odebrecht.

A ação penal decorrente da Operação Omertà tem 15 réus, entre eles Palocci e o herdeiro do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

Palocci está preso desde setembro de 2016, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.