“Papéis apócrifos e adulterados” são a base da denúncia contra Lula, diz defesa

Cristiano Zanin Martins

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram um balanço do depoimento prestado por Lula ao juiz Sérgio Moro, na tarde desta quarta-feira (13), em coletiva à imprensa, no Hotel Bourbon, em Curitiba.

Segundo a defesa, “não há qualquer materialidade” na denúncia do recebimento de um terreno da Odebrecht, no valor de R$ 12,4 milhões que, segundo a acusação, seria destinado a nova sede do Instituto Lula, nem do recebimento de um apartamento em São Bernardo do Campo, no valor de R$ 504 mil.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins afirmaram que a denúncia é “vazia” e Lula jamais recebeu a propriedade de um imóvel para o Instituto Lula e não é “dono” ou beneficiário de qualquer patrimônio da instituição.

“O juiz e o Ministério Público não fizeram nenhuma pergunta a respeito dos contratos, o que demonstra que eles não estavam em busca da verdade dos fatos, mas de uma versão”, afirmou Zanin.  Segundo o advogado, “o Ministério Público não produziu qualquer prova de culpa e nós produzimos provas da inocência”, disse.

“Não há um documento do processo, nenhuma prova da origem dos recursos da Petrobras, para embasar a denúncia”, ressaltou Cristiano Zanin.

Documentos “apócrifos e adulterados”

De acordo com Valeska Teixeira Zanin Martins, Lula não está tendo um julgamento justo, já que a defesa não teve acesso a todo os documentos do processo. Entre eles estaria o “My Web Day”, o sistema de informática usado pela Odebrecht para registrar o pagamento de propina.

Por considerar que houve cerceamento de defesa, os advogados orientaram o presidente a não responder perguntas repetidas, fora do objeto da ação ou que não tiveram a “autenticidade reconhecida”.

“Foram apresentados documentos que não tem origem e foram questionados.  São papéis apócrifos, com indícios de adulteração nesses documentos. Não temos nenhuma documentação de que esses documentos são idôneos”, afirmou a defesa.

O documento em questão seria uma agenda, com uma pauta de reunião, que traz as anotações “obra sítio, palestras e Instituto”,  referentes aos últimos dias de mandato do ex-presidente Lula. O documento teria sido fornecido por Emílio Odebrecht e juntado ao processo pelo Ministério Público no último dia 30.

Por meio da assessoria de imprensa, o juiz Sérgio Moro afirmou que não irá se manifestar a respeito das afirmações e questionamentos feitos pelos advogados.

Palocci

Ainda de acordo com a denúncia, o negócio envolvendo o terreno teria sido fechado com a intermediação do ex-ministro Antonio Palocci e de seu assessor, Branislav Kontic, também réus da ação penal.

Sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Antônio Palocci a Moro, na semana passada, a defesa afirmou que o depoimento “apresenta contradições internas e são incompatíveis com declarações prestadas por outras testemunhas e outros acusados”, disse Zanin.