Okamotto diz que não sabia que Odebrecht era dona de imóvel para Instituto Lula

Okamoto

Por Thaissa Martiniuk /BandNewsCuritiba

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que não sabia que o imóvel visitado por ele pertencia a Odebrecht. Diretores da instituição procuravam um local para abrigar a nova sede do Instituto Lula.

Okamotto foi ouvido nessa sexta-feira (30) como testemunha de defesa do ex-presidente Lula em ação penal que investiga se o petista teria recebido vantagens indevidas da empreiteira. Durante a audiência, o presidente do Instituto Lula afirmou que visitou o imóvel apenas uma vez e foi acompanhado de um arquiteto, de Lula e da ex-primeira dama Marisa Letícia.

Paulo Okamotto ainda esclareceu que não lembrava quem havia indicado o terreno. Ele disse também que logo após a visita, o imóvel foi descartado porque foi considerado inadequado devido à localização.

“As pessoas sabiam que a gente estava procurando um escritório, pessoas ofereciam imóveis para a gente, corretoras, pessoas que queriam alugar… alguém, eu não me lembro se fui eu que pedi para essa pessoa ou se foi alguém que informou que tinha um terreno que estava sendo ofertado para gente poder olhar. Mas eu realmente não sei quem foi que fez isso”, disse.

Okamotto negou ter conversado sobre o imóvel com o ex-ministro Antônio Palocci, o ex-assessor dele Branislav Kontic e com o pecuarista José Carlos Bumlai. Além de Okamotto, outras três testemunhas de defesa do ex-presidente Lula foram ouvidas nesta sexta, todas por videoconferência de São Paulo.

Esta etapa do processo, com depoimentos de testemunhas de defesa, segue até o dia 12 de julho e até lá mais de 50 pessoas ainda serão ouvidas. Depois dessa fase, serão ouvidos os réus da ação penal e na sequência são abertos os prazos para que acusação e defesa apresentem as alegações finais. Por fim, os autos voltam às mãos do juiz Sérgio Moro, que analisa todas as provas e decide se absolve ou condena os envolvidos.

Nesta ação penal, o Ministério Público Federal aponta que, em troca de contratos com a Petrobrás, a empreiteira Odebrecht teria comprado um terreno para a construção da sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo, São Paulo.

A defesa do ex-presidente nega as acusações. Por meio de nota, a defesa do ex-presidente Lula disse que a ação penal tem caráter despropositado, uma vez que o petista jamais recebeu a propriedade de um imóvel para o Instituto Lula. Além disso, os advogados do ex-presidente enfatizaram que Lula não é “dono” ou beneficiário de qualquer patrimônio da instituição.