PF cumpre mandados contra Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller

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Foto ilustrativa: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

A Polícia Federal (PF) cumpre nesta segunda-feira (11) um mandado de busca e apreensão na casa do ex-procurador Marcello Miller, que deixou o cargo em abril. Ele é um dos envolvidos na suspensão das delações de Joesley Batista e de Ricardo Saud, da J&S. Miller é suspeito de fazer “jogo duplo” entre o Ministério Público e empresa.

Além do Rio de Janeiro, onde mora Miller, a PF cumpre mais dois mandados de busca em São Paulo – nas casas de Joesley e de Saud, na sede da empresa e na casa do delator Francisco Assis e Silva, também da JBS.

A Operação Bocca, como foi chamada, envolve cinco mandados autorizados pelo ministro Edson Fachin.

O nome da operação é uma alusão à “Bocca della Verità”, um monumento que, acredita-se, desde a Idade Média, funciona como detector com de mentiras. Diz a lenda que se alguém contar uma mentira com a mão na boca da escultura, ela se fecharia “mordendo” a mão do mentiroso.

Delações ameaçadas

Os acordos de colaboração de Joesley e Saud foram suspensos pelo ministro Edson Fachin na semana passada por causa da suspeita de que eles teriam omitido informações – a principal delas seria a atuação de Miller, que os teria orientado quando ainda estava no Ministério Público.

Na última sexta-feira (8), o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a prisão dos três – Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller. O pedido foi feito com base em um áudio gravado no dia 31 de março e entregue no dia 31 de agosto em que Joesley e Saud falavam sobre a suposta ajuda de Miller.

No pedido de prisão, Janot disse que Miller foi usado pela JBS para alterar fatos e provas, além de “filtrar informações e ajustar depoimentos”. O ministro Edson Fachin negou apenas a prisão de Miller. Ele disse, em sua justificativa para negar o pedido de prisão, que, embora haja indícios de que ele possa ter atuado para obstruir as investigações, não há ainda “elemento indiciário com a consistência necessária à decretação da prisão temporária”.

Joesley Batista e Ricardo Saud se entregaram ontem (10) à PF.

Em nota, Miller diz que o conteúdo das conversas gravadas é fantasioso e ofensivo e nega envolvimento no caso ou qualquer interferência em investigações.