PF cumpre novo mandado de prisão contra Eduardo Cunha

Antonio Cruz/Agência Brasil
Antonio Cruz/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) cumpriu um novo mandado de prisão preventiva contra o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB). Ele está preso no Complexo Médico-Penal (CMP), na Região Metropolitana de Curitiba, e foi notificado na prisão. Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses por crimes de corrupção no âmbito da Lava Jato.

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O mandado foi expedido pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), na Operação Patmos, deflagrada após o vazamento da colaboração premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, proprietários do frigorífico JBS, publicado pelo jornal “O Globo” no início da noite de ontem.

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Cerca de 200 policiais federais cumpriram 49 mandados judiciais, sendo 41 de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão, além do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira (18). O objetivo das medidas é coletar provas de corrupção e crimes contra a administração pública, entre outros crimes, nas investigações que tramitam no STF.

Além de Cunha, foram alvos dos mandados o senador Aécio Neves (PSDB), sua irmã e assessora do senador, Andrea Neves, o primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros.

Delação da JBS

Segundo o jornal “O Globo”, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”

No material entregue pelos delatores, o senador Aécio Neves (PSDB) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).
Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.