Polícia Federal quer ser incluída em acordos de delação premiada

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Thaissa Martiniuk, BandNews Curitiba

A Polícia Federal (PF) quer ser incluída nas negociações de acordos de delação premiada. Em coletiva de imprensa da 46ª fase da operação Lava Jato, o chefe da delegacia de combate a corrupção (Delecor) Felipe Hayashi, fez um apelo público à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que reveja o modelo de cooperação entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

De acordo com o delegado, PF e MPF devem agir juntos para acabar com crimes de colarinho branco.

“A Polícia Federa e o Ministério Público Federal são um só time. E o nosso adversário é um só, que é o crime organizado. Como chefe da Delecor eu entendo que é necessário nós revermos  o modelo de cooperação e clamo por uma certa urgência de que a procuradora-geral da República reveja o posicionamento institucional dos delegados da Polícia Federal dos acordos de delação premiada”, disse.

O delegado Felipe Hayashi explica que a Constituição Federal e a lei 12.850/2013, que institui as delações, preveem que delegados federais possam firmar acordo de colaboração premiada. Para ele, a exclusão da PF nas negociações contribui para o crescimento do crime organizado, não apenas relacionadas a práticas de atos de corrupção, mas também no tráfico de drogas e armas, terrorismo e contrabando.

A participação de agentes federais em acordos de colaboração é uma divergência histórica entre a PF e os membros do Ministério Público Federal. No entanto, durante a coletiva, o procurador da República, Roberson Pozzobon, disse que concorda com a cooperação entre as instituições.

” De fato a interação entre as instituições foi o mote e talvez um dos fatores que permitiu que a operação Lava Jato se desenvolvesse. Sem dúvida a cooperação é fundamental. Particulamente no que diz respeito a interpretação da procuradora-geral da República, é uma interpretação da procuradora-geral da República”, afirmou.

O chefe da Delecor ainda disse que é importante estabelecer em lei uma previsão de destinação de recursos a equipes que investigam crimes financeiros. O delegado também aproveitou para destacar duas medidas que estão sendo implantadas dentro da delegacia de combate a corrupção no Paraná: a criação de um banco de dados nacional da Lava Jato e de um laboratório de prevenção a lavagem de dinheiro.

“É uma medida que está sendo desenvolvida junto com a coordenação geral de combate à corrupção, que foi criada recentemente na Polícia Federal, que é o desenvolvimento de uma base nacional da operação Lava Jato. Essa base de dados visa intensificar as ações da Lava Jato; as investigações e operações em todo o território nacional. E uma nova medida em andamento é um laboratório de prevenção e combate da lavagem de dinheiro e da corrupção”, explicou.

A procuradoria-geral da República ainda não se pronunciou sobre o pedido feito pela Polícia Federal sobre a legitimidade da corporação de participar das negociações de acordos de colaboração.