Procurador da Lava Jato critica soltura de Dirceu

face do deltan

Coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, o procurador da República Deltan Dalagnol usou sua conta no Facebook para criticar a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal que concedeu habeas corpus para que o ex-ministro José Dirceu responda em liberdade até que haja sentença em segunda instância nas ações em que ele já foi condenado pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Citando decisões da mesma 2ª Turma em que as prisões preventivas foram mantidas apesar dos idênticos argumentos da defesa, ele contesta a contradição dos ministros do STF.

“O que mais chama a atenção, hoje, é que a mesma maioria da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal que hoje soltou José Dirceu – Ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski – votaram para manter presas pessoas em situação de menor gravidade, nos últimos seis meses”, escreveu.

Ele cita casos como o do ex-prefeito de Redenção do Gurgueia – PI, condenado por corrupção, lavagem e organização criminosa ,“os mesmos crimes de Dirceu”, que não teve a prisão revogada pela 2ª Turma; do traficante Thiago Poeta, preso havia mais de dois anos, “mais tempo do que José Dirceu”, que também teve a prisão mantida e Alef Saraiva, preso, com 150 gramas de cocaína, que teve o habeas corpus negado devido à gravidade do crime. Para cada caso, ele descatou o voto de um dos três ministros que votaram, hoje, a favor de Dirceu: Lewandowski, Toffoili e Gilmar Mendes, para expor as contradições que enxerga.

Desabafo

“O Supremo Tribunal Federal é a mais alta Corte do país. É nela que os cidadãos depositam sua esperança, assim como os procuradores da Lava Jato. Confiamos na Justiça e, naturalmente, que julgará com coerência, tratando da mesma forma casos semelhantes. Hoje, contudo, essas esperanças foram frustradas”, afirmou, apontando que ainda fica o receio de que novas decisões no mesmo sentido prejudiquem a Lava Jato. “Os políticos Pedro Correa, André Vargas e Luiz Argolo estão presos desde abril de 2015, assim como João Vaccari Neto. Marcelo Odebrecht desde junho de 2015. Os ex-Diretores Renato Duque e Jorge Zelada desde março e julho de 2015. Todos há mais tempo do que José Dirceu. Isso porque sua liberdade representa um risco real à sociedade. A prisão é um remédio amargo, mas necessário, para proteger a sociedade contra o risco de recidiva, ou mesmo avanço, da perigosa doença exposta pela Lava Jato”, conclui.