Réu da Lava Jato diz a Moro que estranhou dinheiro depositado em sua conta

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Lenise Klenk e Juliana Goss da BandNews FM Curitiba

Acusado de ter recebido 4,8 milhões de dólares em propina, o ex-gerente da Área Internacional da Petrobras Pedro Augusto Xavier Bastos disse em depoimento à Justiça Federal que recebeu gratificações no exterior por consultorias na área de óleo e gás. Ele foi interrogado nesta quinta-feira (17), em um processo decorrente da 41.ª fase da Lava Jato, na qual foi preso. Batizada de Poço Seco, essa etapa da investigação foi deflagrada em maio deste ano. Bastos é suspeito de ter recebido propinas relacionadas ao contrato de venda de um campo de petróleo na África para a Petrobras, em 2011.

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Ele está preso no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na grande Curitiba. O réu responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com o Ministério Público Federal, Bastos recebeu vantagens indevidas na conta de uma offshore, na Suíça, da qual era beneficiário. Em contrapartida, teria usado o cargo na Petrobras para dar amparo técnico a um negócio envolvendo a venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África.

No interrogatório, Bastos confirma ter recebido 700 mil dólares no exterior que vieram de uma conta pertencente a João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador de propinas ligado ao PMDB. De acordo com Bastos, o recurso foi uma gratificação pela consultoria prestada sobre o mercado de petróleo na África.

“Em meados de 2010, o senhor João Augusto me procurou para eu dar consultoria para ele na África e, em junho de 2011 ele queria me gratificar por essas consultorias. E, para isso, eu teria que abrir uma conta no mesmo banco que ele tinha lá fora. E eu abri a conta”, disse.

Questionado pelo juiz Sérgio Moro sobre a existência de provas a respeito do serviço prestado, Bastos disse que as atividades no ramo de óleo e gás não costumam ser formalizadas em contratos. Ele também diz ter sido surpreendido pela oferta de uma gratificação pela consultoria. “Esse ramo do petróleo é muito pequeno. As pessoas se conhecem muito. O João era bem conhecido, não havia necessidade de contrato. Assim não há nenhum elemento de prova, pois eu não objetivei ser remunerado por esse serviço. Foi uma surpresa, fiquei até constrangido por ter recebido”.

Por orientação dos advogados, o ex-gerente da Petrobras não respondeu a perguntas sobre o destino de valores que passaram por contas dele no exterior. Parte da denúncia contra Pedro Augusto Bastos se ampara em um relatório da Comissão Interna de Apuração da própria estatal, que apontou o ex-gerente como responsável por uma série de irregularidades. Bastos teria manipulado dados com objetivo de melhorar o resultado econômico do projeto, além de omitir informações a comitês internos. Diante das conclusões, a Petrobras chegou a demitir Pedro Augusto Bastos por justa causa no segundo semestre de 2016.