Rocha Loures é alvo de operação da PF em Curitiba

Foto: TV Band Curitiba
Foto: TV Band Curitiba

Endereços apontados pela Polícia Federal como do deputado federal afastado Rodrigo Santos da Rocha Loures (PMDB-PR) foram alvo de mandados de busca e apreensão no início da manhã desta quinta-feira (18), nos bairros Vista Alegre e Alto Glória, em Curitiba, em um desdobramento da Operação Lava Jato. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF constatou que um endereço, no bairro Vista Alegre, não pertence mais ao político.

O porteiro informou que a ex-mulher de Rocha Loures mora na residência. Por volta das 6 horas, a PF entrou no condomínio, foi até a casa, e foi informada pela mulher que “há tempos” ele não mora mais lá e que não há pertences dele na residência. A PF respeitou e foi embora.

Os mandados foram cumpridos em um apartamento do Alto da Glória, por volta das 8h30, e documentos foram apreendidos. Doze agentes participaram da ação em Curitiba. Os mandados fazem parte da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato.

Rocha Loures está em Nova Iorque, acompanhando o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) em um evento. Dória recebeu um prêmio no evento, se reuniu com o ex-­prefeito novaiorquino Michael Bloomberg e também com investidores americanos que procuram oportunidades de negócio no Brasil.

Loures viaja com o prefeito paulistano como membro titular do Conselho da Micro, Pequena e Média Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

O relator da Lava Jato no STF ordenou o afastamento de Rocha Loures do cargo de deputado na Câmara Federal. O peemedebista deve voltar ao Brasil nesta quinta.

Homem de confiança do presidente

Rodrigo Rocha Loures Suplente de Osmar Serraglio, que assumiu o Ministério da Justiça em março deste ano, o parlamentar teria sido o escolhido pelo presidente Michel Temer para “resolver um problema” para a J&F, holding que controla a empresa frigorífica JBS. Com isso, teria sido recebido propina em nome de Temer.

Segundo o presidente da empresa, Joesley Batista, em denúncia publicada pelo jornal “O Globo”, Temer indicou Loures para interceder a favor da JBS. O deputado teria sido filmado recebendo uma mala de dinheiro.

Homem de confiança de Temer, Loures foi conselheiro especial da presidência logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No PMBD desde 2005, ele foi deputado federal pelo Paraná de 2007 até 2011.

Nas últimas eleições, acabou não sendo eleito, mas assumiu como suplente de Osmar Serraglio. Defensor das reformas e das empresas Rodrigo Santos da Rocha Loures é filho de Rodrigo Costa da Rocha Loures, vice-­presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).

A reportagem tentou contato com Rocha Loures que não atendeu as ligações.

Brasília

O gabinete de Rocha Loures no Congresso Nacional, assim como do senador Zezé Perrela (PSDB-MG), também é alvo desta operação.

Os agentes também fazem buscas no Rio de Janeiro nos apartamentos do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A irmã dele, Andréa Neves, foi presa no Rio de Janeiro.

Um procurador da República foi preso e há mandados contra pessoas ligadas ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Nesta quinta, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou o afastamento de Rocha Loures da Câmara. Fachin também mandou afastar o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, do mandato de senador.

A ação ocorre após denúncia publicada nesta quarta-feira (17) no jornal O Globo. Segundo a matéria, Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, o dono do frigorífico JBS, para pagar sua defesa na Lava Jato.

Também há mandados relacionados a Altair Alves, considerado braço direito do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Denúncia

Nesta quarta-feira (17), o jornal O Globo revelou que os donos da JBS disseram em delação à Procuradoria-Geral da República que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enquanto ele já estava preso.

Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”.

No material entregue pelos delatores, o senador Aécio Neves (PSDB) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Advogado não vê crime

O presidente do PSDB teria dito ao empresário Joesley que o valor pedido custearia o trabalho do advogado Alberto Zacharias Toron. Em entrevista à BandNews, o advogado afirmou que não recebeu nenhum valor e que o valor pedido a Aécio foi no âmbito de “relações privadas”, o que não pode ser considerado obstrução da Justiça e nem corrupção. “Não vejo um crime. Os fatos precisam ser melhor investigados para que medidas sejam tomadas”, disse.

O advogado afirma que a condição de Joesley de investigado não confere ao ato o caráter de crime. Segundo Toron, o afastamento de Aécio não encontra suporte na Constituição e não deveria acontecer antes das apurações e procedimentos cabíveis.