‘Round 2’ de Lula e Moro; veja a expectativa para o depoimento

Daniel Dereverick / La imagem
Daniel Dereverick / La imagem

Com Metro Jornal Curitiba

Menos perguntas e menos histeria do lado de fora do prédio da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, devem marcar o segundo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira, em Curitiba.

Já condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelo episódio do tríplex do Guarujá, Lula desta vez será ouvido pela acusação de ter recebido, da empreiteira Odebrecht, um terreno de R$ 12,4 milhões destinado a ser a nova sede do Instituto Lula (mudança que acabou não saindo do papel) e mais um apartamento de R$ 504 mil em São Bernardo do Campo, vizinho ao que o petista mora com a família. No papel, este imóvel contíguo foi alugado pelo ex-presidente, mas só a partir de 2016, quando as investigações já estavam em curso.

No primeiro encontro pessoal entre Lula e Moro, em maio, o petista falou por quase 5 horas, o que incluiu até uma pausa para descanso.

Sem títuloDesta vez há a expectativa que o diálogo seja mais curto: o juiz pode evitar repetir questões contextuais – sobre Lula ter ou não conhecimento de detalhes do esquema da Petrobras, por exemplo – e, além disso, o petista não estará sozinho: na mesma tarde o magistrado pretende ouvir o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e Branislav Kontic, que foi assessor do ex-ministro Antonio Palocci.

A mobilização de manifestantes pró e contra o ex- -presidente também deve ser aquém da primeira vez. A Frente Brasil Popular, que mobilizou um ato com quase 10 mil pessoas – com direito a acampamento – em favor de Lula após a audiência de maio, já organiza novas caravanas, mas a adesão nas redes sociais tem sido menor. Já os grupos pró-Lava Jato, que fizeram um tímido evento na primeira ocasião, ainda não têm grandes eventos agendados.

A Sesp-PR (Secretaria de Segurança Pública do Paraná) vai definir hoje, em reunião com a PF (Polícia Federal), o esquema de segurança para a audiência, mas, a depender da expectativa de público, o aparato pode ser menor: em maio, foram gastos R$ 110 mil na operação que incluiu 3 mil agentes (dos quais 1,7 mil policiais militares) e até um helicóptero que sobrevoou o prédio da Justiça por 16 horas.

Nova acusação de última hora complica Lula

Pouco antes da primeira audiência de Lula, em maio, a situação do petista se agravou por dois “delatores informais” que, mesmo sem acordo, deram detalhes da participação do petista no esquema do tríplex do Guarujá: o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

Desta vez, quem comprometeu Lula a uma semana do depoimento foi o ex-ministro Antonio Palocci, que também busca uma delação premiada.

Na última quarta, Palocci disse ao juiz Sérgio Moro que Lula deu aval para um acerto de propina de R$ 300 milhões entre a Odebrecht e o PT nos anos seguintes ao mandato dele, e que o terreno comprado em São Paulo faria parte deste acordo. A defesa de Lula nega a versão, diz que Palocci não tem provas e busca apenas “destravar” a delação premiada.