Schahin diz que não deu prejuízo à Petrobras e leva bronca de Moro

O juiz federal Sérgio Moro retomou, nesta segunda-feira (17), os depoimentos do processo relacionado a 38ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Blackout, deflagrada em fevereiro. Participaram da oitiva, na condição de delatores, os executivos do Banco Schahin, Milton Taufic Schahin e do filho Fernando Shahin, que permaneceu em silêncio. Os operadores financeiros do PMDB, Jorge e Bruno Luz, são réus nessa ação penal.

Ao final do depoimento, Milton Schahin diz que não deu prejuízos a Petrobras e que está satisfeito com o trabalho desempenhado na estatal. A fala foi repreendida por Moro que apontou o esquema de pagamento de propina para agentes políticos.

Depoimento

No depoimento, Milton Shahin explicou sobre a sua atuação no banco. Segundo o delator, sua atuação estava concentrada no setor de Engenharia, que englobava as áreas de telecomunicações, petróleo, imobiliária e energia. Ele afirma que tinha autonomia para administrar sua parte da sociedade com o irmão, Salim Schahin.

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O executivo foi questionado sobre o acompanhamento das ações envolvendo a Petrobras e as contrapartidas do Banco Schahin para operar o navio-sonda Vitória 10.000. Durante o depoimento, Moro relembrou a dívida de R$ 12 milhões contraída pelo empresário José Carlos Bumlai que foi, segundo as investigações, destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT).

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“Houve, posteriormente a uma série de situações, a quitação do empréstimo através dessa operação”, conta o empresário. Segundo ele, na época, ele não sabia que a contratação para operar o navio-sonda era uma contrapartida para quitar a dívida de Bumlai, mas recebeu o contato com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari. “O Vaccari pediu para conversar e voltou com a resposta que poderia ser recebido esse apoio desde que quitasse o empréstimo de Bumlai no banco”, declarou.

Sobre a relação com Jorge e Bruno Luz, o delator contou como foi a negociação com os lobistas. Os pagamentos foram feitos, inicialmente, para duas empresas off-shores via ordens de pagamento do Banco Schahin. “Posteriormente, nós verificamos no escritório que ouve mais um pagamento indevido para uma empresa […], uma firma do Jorge Luz”, conta.

Para finalizar o depoimento, o delator Milton Schahin afirma que não deu prejuízos a Petrobras e diz que teve o trabalho reconhecido pela estatal, além de que não houve superfaturamento no contrato com o navio-sonda Vitória 10.000.

“Eu não dei nenhum prejuízo para a Petrobras. Continuei fazendo meu trabalho com boa performance. Estou fazendo todo esse trabalho de forma correta e recentemente tive a informação de que a própria Petrobras reconhece que não houve superfaturamento nesse contrato. Eu acho que isso é um dado importante lhe dizer, por uma questão íntima de foro meu”, declarou.

A fala do empresário foi interrompida pelo magistrado. “Certo, senhor Milton. Mas pagar propinas para os agentes não era justificado, né?”. O empresário seguiu dizendo que fez um trabalho ao qual se orgulha e que está executado. Veja:

O filho de Milton Schahin e corréu da ação penal, Fernando Schahin, permaneceu em silêncio na oitiva por orientação dos advogados.

Acusação

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os Jorge e Bruno Luz movimentaram mais de 40 milhões de dólares em propinas a peemedebistas e agentes públicos em cinco contratos da estatal no Brasil e no exterior. Entre os beneficiários dos valores estava o deputado cassado Eduardo Cunha. A denúncia apura irregularidades em contratos da Petrobras para contratação de navios-sonda entre 2006 e 2007.

Depoimentos

O magistrado volta a ouvir testemunhas na próxima quarta-feira (19). Entre os depoimentos que ocorrem nesta semana está o de Agosthilde Mônaco de Carvalho, o homem de confiança de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, além dos réus Bruno Gonçalves Luz, Jorge Antônio da Silva Luz, o executivo Demarco Jorge Epifanio e o ex-gerente Luiz Carlos Moreira da Silva.

Próximos passos 

Depois dos depoimentos o juiz recebe as alegações finais do MPF e das defesas e decide se condena ou absolve os réus do processo. Não há prazo para a decisão.



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