Sentença de Cláudia Cruz deve sair nos próximos dias

Foto: Reprodução / Facebook
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O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, condenou nesta quinta-feira (30) o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha a 15 anos e quatro meses de prisão. Em outro processo, desmembrado quando Cunha ainda tinha foro privilegiado, Moro determinou que o Ministério Público Federal (MPF) e a defesa da jornalista Claudia Cruz, esposa de Cunha, se manifestem nas alegações finais no prazo de dez dias. Após o prazo, Moro deve despachar e condenar, ou não, Claudia na Lava Jato.

Defesa de Cunha vai recorrer ao TRF4

Além da jornalista, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada e o operador de propinas do PMDB João Augusto Resende Henriques também são réus na mesma ação penal.

“Não obstante a Defesa de Cláudia Cordeiro Cruz requereu que seja ouvido neste feito Eduardo Cosentino da Cunha, já que teria prestado declarações relevantes na ação penal conexa. Entretanto, determinei o traslado do depoimento, vídeo e degravação, para estes autos, o que foi feito. […] Intimem-se, novamente e após, as Defesas para alegações finais em dez dias. Em seguida para sentença”, despachou Moro.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Cláudia Cruz foi beneficiária de dinheiro lavado em contas no exterior. O valor teve origem em um contrato da Petrobras na exploração de um campo de petróleo na África. O negócio teria rendido o pagamento de propina de US$ 1,5 milhão a Cunha.

Ainda de acordo com o MPF, a jornalista também recebeu no exterior dinheiro de outras contas controladas pelo ex-deputado. O valor do contrato investigado era de US$ 34,5 milhões. A denúncia está vinculada a outra ação penal, remetida pelo Supremo Tribunal Federal (MPF) ao Paraná depois que Cunha perdeu a prerrogativa de foro privilegiado. O ex-deputado foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por por três crimes de lavagem de dinheiro e dois crimes de evasão fraudulenta de divisas. Na ação correlata, Claudia Cruz foi acusada de ser beneficiária das contas atribuídas a Cunha na Suíça.

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Em depoimento, em novembro, a jornalista confirmou que usava um cartão de crédito internacional entre 2008 e 2015, mas alegou que só soube que era vinculado a uma conta no exterior, não declarada à justiça, quando as investigações da operação Lava Jato vieram a tona.

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Os procuradores apontam que Cláudia tinha consciência dos crimes que praticava e controlava uma conta para pagar despesas variadas no exterior, incluindo gastos em restaurantes badalados e com objetos de grife.