Testemunhas de Lula explicam funcionamento dos governos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cinco testemunhas de defesa prestaram depoimento nesta quarta-feira na ação penal que tem entre os réus o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de receber vantagens indevidas da construtora OAS, evidenciadas na aquisição de um apartamento tríplex no Guarujá e no transporte e armazenamento de objetos levados pelo ex-presidente quando deixou o Palácio Alvorada. As testemunhas, no entanto, pouco versaram sobre tais acusações, sendo questionadas sobre afirmações secundárias da denúncia do Ministério Público no processo.

Arrolados por Lula, foram ouvidos dois ex-ministros das Relações Institucionais de seu governo: Walfrido Mares Guia e o hoje ministro do TCU José Múcio Monteiro Filho. A eles, foi questionado como funciona um governo de coalizão. “É que o Ministério Público acusa o presidente Lula de ter aumentado sua base de apoio depois que assumiu a presidência, o senhor poderia explicar como isso funciona”, questionou a Múcio o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins. “Natural, ele tinha uma aprovação popular muito alta. Todos os governos conseguem ampliar sua base. Um com grande aprovação popular, mais ainda”, respondeu o ministro.

Também foram ouvidos dois ex-diretores da Polícia Federal na gestão Lula, Luiz Fernando Corrêa e Paulo Lacerda, que foram instados a comentar os investimentos feitos pela gestão petista na estruturação da Polícia Federal, o aumento do número de operações de combate à corrupção, a criação de uma Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro. Ainda lhes foi questionado, e por eles negado, se Lula ou qualquer outro integrante do governo exercia influência nas investigações da PF.

Funcionário do Arquivo Nacional responsável por catalogar os acervos presidenciais, Cláudio Soares Rocha afirmou, em depoimento, que presentes recebidos pelos presidentes da República são considerados patrimônio público, mas podem ser retirados das sedes do governo caso fiquem à disposição da visualização e acesso público em uma instituição nos moldes do Instituto Lula.