“Uma esperteza”, diz diretor do Depen sobre alegação de aneurisma de Cunha

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Foto: Rodolfo Buhrer/Paraná Portal
Por Roger Pereira e Andreza Rossini

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (8) o diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) Luiz Alberto Cartaxo, afirmou que o deputado cassado Eduardo Cunha usou um momento de comoção nacional após a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, para afirmar que tem uma aneurisma cerebral e, segundo ele, não está recebendo tratamento. “Uma esperteza”, disse Cartaxo.

“É mais do que oportunismo, uma esperteza sem tamanho usar o momento psicológico da morte da esposa do Lula. Talvez muitos de nós tenhamos aneurisma”.

O diretor do Depen afirmou que aneurisma não é motivo para prisão domiciliar. “A possibilidade de causar maiores problemas na prisão, em casa ou em um helicóptero é a mesma”, alegou. “Tem vários presos com aneurisma em vários outros presídios do estado”, complementou. Ainda segundo Cartaxo, Cunha não precisou de atendimento médico desde que chegou no CPM.

Cunha está detido no Complexo Médico Penal (CMP) em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba e leu uma carta falando sobre o aneurisma em uma audiência com o juiz Sérgio Moro na tarde de terça-feira (7).

Após a afirmação, ele foi encaminhado para realização de exames dentro do sistema penitenciário na manhã de hoje (8) e se negou a realizar os procedimentos sem a presença de um médico particular. Ele foi punido pela decisão. A defesa de Cunha não encaminhou nenhum documento que comprove a doença para o presídio e alegou que não foi informada pelo cliente sobre o quadro.

Cunha tem o direito de ser atendido por um médico particular, ainda segundo o diretor do Depen.

Punição  

Cunha recebeu uma espécie de advertência por não ter realizado o exame necessário. “Ele está sobre a minha custódia, eu sou o responsável por ele. Se precisa de tratamentos relacionados à saúde tem que fazer”, disse Cartaxo.

A infração só acarreta outras medidas punitivas em casos de reincidência – o que tornaria uma advertência grave capaz de atrasar a progressão do regime fechado para o regime domiciliar.

Reclamações

Ao ler a carta na Justiça Federal, Cunha também alegou que outros presos não recebem o tratamento médico adequado e disse ouvir gritos dentro do presídio. O diretor do Depen afirmou que o Complexo Médico Penal é divido em seis alas, duas de presos especiais onde Cunha é mantido, duas para tratamento médico de presos que chegam baleados, com tuberculose ou outras doenças e duas alas dos presos com problemas psiquiátricos, de onde afirma vir os gritos.

Defesa

Os advogados de Cunha afirmaram que não receberam nenhum pedido do Depen para entregar exames e não foi notificada sobre a saída para exames e nem sobre a negativa para a realização dos procedimentos. Segundo os advogados nada foi divulgado no sistema da justiça.

Cartaxo alega que não existe a necessidade de informar a defesa, apenas comunicar o juiz Sérgio Moro. “Eu faço a comunicação, nós temos um trato muito ágil [entre Moro e o sistema penitenciário”.