Valor do terreno do Instituto Lula foi debitado da “conta Italiano” no departamento de propinas da Odebrecht

Coordenador do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, o setor criado pela companhia para realizar pagamentos não contabilizados a políticos, funcionários públicos e de estatais, Hilberto Mascarenhas afirmou, em depoimento a juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira, que o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht determinou que os R$ 12,422 milhões gastos pela empresa na compra de um terreno em São Paulo, que seria destinado ao Instituto Lula, fossem reduzidos da “conta Italiano”, uma planilha que apontava os créditos prometidos pela construtora ao ex-ministro Antônio Palocci.

Segundo Mascarenhas, Marcelo Odebrecht o autorizou a liberar R$ 200 milhões em créditos para “Italiano”, pseudônimo dado a Palocci nas planilhas da Odebrecht. Ele citou ainda que, na mesma planilha, foram acrescentados os codinomes “Pós-italiano”, referência ao ex-ministro Guido Mântega, sucessor de Palocci no Ministério da Fazenda, e “Amigo”, quer seria a indicação do ex-presidente Lula.

A planilha, explicou era usada para que a Odebrecht controlasse os repasses feitos aos políticos, deduzindo cada contribuição do crédito de R$ 200 milhões autorizados por Marcelo para tais agentes políticos. Questionado sobre o registro de um débito de R$ 12,422 milhões com a identificação “IL”, Mascarenhas confirmou. “É o débito da aquisição de um terreno para o Instituto Lula”. Ele contou, no entanto, que o recurso para a compra do terreno não saiu do departamento de Operações Estruturadas, “foi do caixa 1 da empresa”, mas, mesmo assim, Marcelo Odebrecht mandou que fosse deduzido da conta de Palocci e Lula.

“Soube que eles solicitaram ajuda para o Marcelo sobre a localização do Insituto. Indicaram um terreno e a Odebrecht comprou, com recursos próprios. Mas o Marcelo não iria arcar com esse custo, então, determinou que deduzisse desses R$ 200 milhões da planilha”, explicou.

Mascarenhas prestou depoimento na ação penal em que Lula, Palocci e Marcelo Odebrecht, entre outros réus, respondem pela acusação de pagamento de propina da Odebrecht através da aquisição de um terreno para o Instituto Lula, em São Paulo, e de um apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo do Campo-SP.