“Não há nenhuma prova, o sítio não é do ex-presidente”: defesa de Lula mantém estratégia

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhou, nesta segunda-feira (5), os depoimentos de três testemunhas de acusação no caso do sítio em Atibaia, cuja propriedade é atribuída a Lula. Segundo Zanin, os depoimentos não reforçam a acusação e a defesa do ex-presidente deve seguir a mesma linha adotada no caso triplex, no qual Lula foi condenado a 12 anos e um mês, em segunda instância, em janeiro.

Além de Lula, o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht; o dono da OAS, Léo Pinheiro; o pecuarista José Carlos Bumlai; e mais nove foram denunciados na ação penal do sítio, todos por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A suspeita é a de que o ex-presidente teria recebido vantagens indevidas das empreiteiras por meio de benfeitorias no sítio.

Ontem, foram ouvidos os ex-marqueteiros do PT, Mônica Moura e João Santana, e o ex-gerente da Petrobras, Eduardo Musa. Os três, que têm acordo de delação, foram arrolados pelo Ministério Público Federal (MPF). “Este é um processo sobre um sítio em Atibaia, que não é do ex-presidente Lula, e os depoimentos em nada serviram para reforçar a acusação, pelo contrário”, disse Zanin.

Na denúncia, em maio de 2017, o MPF apresentou documentos que comprovariam que Lula era o proprietário do sítio. Dois pedalinhos, que ficam estacionados no lago da propriedade, trazem os nomes de dois netos do ex-presidente. Lula se tornou réu em agosto. O ex-presidente nega as acusações e diz não ser o dono do imóvel, que está no nome de sócios de um de seus filhos. Lula ainda afirma que todos os bens que pertencem a ele estão declarados à Receita Federal.

O advogado Zanin garantiu que não há nenhuma prova contra o seu cliente. “Não há nenhuma prova, o sítio não é do ex-presidente Lula e isto está claro, com os elementos do próprio processo. Aliás, o Ministério Público diz isso, reconhece. Não se atribui a propriedade ao ex-presidente e isso está muito claro na própria denúncia. Não há nenhum elemento, nada que possa mudar essa situação”, afirma.

Criticado por apoiadores de Lula pela linha de defesa adotada no caso do tríplex do Guarujá, Zanin afirmou que a postura neste outro processo vai ser a mesma. “Nós já apresentamos uma resposta à acusação mostrando que aquilo que consta na denúncia não é verdadeiro. A acusação não tem a menor procedência. É isso que foi demonstrado em uma primeira defesa apresentada e é o que vai ficar provado ao longo da ação”, disse.

Zanin afirma, ainda, que Lula está indignado com a condenação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O advogado acredita que a condenação possa ser revertida. “O ex-presidente Lula está sereno, mas, ao mesmo tempo, com a indignação de uma pessoa que foi condenada sem ter praticado um crime”, disse.

“A condenação imposta pelo TRF4 não tem sustentação jurídica, nós entendemos que será revertida. A condenação jamais poderia ter sido imposta ao ex-presidente Lula porque não há qualquer prova de que ele seja proprietário do triplex ou que tenha sido beneficiado por qualquer valor oriundo da Petrobras. Ao contrário, nós fizemos a prova da inocência e essa prova foi desconsiderada pelo tribunal”, disse.