À PF, Palocci diz que não é o “italiano”

Agência Brasil
Por Thaissa Martiniuk

O ex-ministro Antônio Palocci disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que em nenhum momento atuou em favor da empreiteira Odebrecht. Além disso, ele informou que, de fato, teve encontros com o presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, mas explicou que como ministro tinha a obrigação institucional de se relacionar com o empresariado. Ele negou ser o “italiano”, codinome a ele atribuído pelos investigadores na planilha de propinas apreendida pela PF.

Palocci falou por quase quatro horas aos delegados da Polícia Federal. Essa foi a primeira oportunidade de o ex-ministro se defender das acusações investigadas na 35ª fase da Operação Lava Jato. A defesa de Palocci informou que, em audiência, foi demonstrado, uma por uma, que as denúncias contra ele são improcedentes.

Os investigadores da Lava Jato atribuem ao ex-ministro tratativas para a aprovação do projeto de transformação da Medida Provisória 460, de 2009, em lei, o que resultaria em benefícios fiscais para a Odebrecht. O advogado José Roberto Batocchio disse que a denúncia não procede, já que o ex-ministro, que à época era deputado, votou contra aprovação da MP. “Basta consultar o site da Câmara dos Deputados para verificar que ele votou contra esta Medida Provisória, portanto, contra os interesses da Odebrecht. Ele ainda pediu o veto ao presidente da República, que atendeu e vetou a aprovação”.

Em depoimento, o ex-ministro ainda afirmou que o apelido “italiano”, que aparece em planilhas da Odebrecht, não se refere a ele. O advogado afirmou que a Polícia Federal já atribuiu o codinome a outras três pessoas. “Descobrimos um e-mail onde o Marcelo Odebrecht diz o seguinte: estive na Itália. Ela saiu da reunião e voltou em 15 minutos. Itália, então, é uma pessoa do sexo feminino. Toda vez que o ex-ministro é citado, aparece o nome dele ou a sigla AP”, argumentou.

Outro ponto abordado no depoimento foi a concessão de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às grandes empresas. Sobre o tema, o criminalista José Roberto Batocchio, explicou que o ex-ministro era totalmente contrário à política do banco de atuar junto ao setor privado. O advogado reafirmou ainda que Palocci, em nenhum momento interferiu em favor da Odebrecht. “O ministro Palocci sempre foi um inimigo ferrenho das atividades do BNDES. Como ministro da Fazenda, ele achava que era absolutamente imprópria essa política do BNDES de atuar no setor privado, como o banco vinha atuando. Ele era visto como inimigo do BNDES”.

Palocci está preso desde segunda-feira (26) quando foi deflagrada a 35ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Omertà. Esta etapa tem como principal foco a relação do ex-ministro Antônio Palocci com a empreiteira Odebrecht. Além de Palocci, foram presos dois ex-assessores dele. Os dois também foram interrogados pelos delegados da PF e negaram todas as acusações. A prisão temporária dos três investigados vence nesta sexta-feira (30). No entanto, a Polícia Federal pode pedir a prorrogação das prisões por mais cinco dias ou a conversão delas para preventiva. A decisão cabe ao juiz federal Sergio moro.