Professores das redes estadual e municipal mantêm greve

Foto: Andreza Rossini/Paraná Portal
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Andreza Rossini e Narley Resende

Professores das rede municipal de ensino de Curitiba e da rede estadual do Paraná entraram nesta quinta-feira (16) no segundo dia de greve. Representantes da prefeitura de Curitiba e do governo do Estado receberam ontem (15) sindicalistas das duas categorias, respectivamente, para uma reunião. Em ambos os casos não houve acordo.

Os professores municipais realizaram uma assembleia no fim da tarde de quarta, em que decidiram manter a greve por tempo indeterminado.

Membro da direção do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Wagner Argenton, afirma que a reunião na prefeitura não teve validade. “Tivemos uma falsa reunião, sem nem sequer o secretário de Governo, nem a secretária da Pasta, muito menos o prefeito. Aquilo não é negociação. Não temos nenhuma resposta. A única é aquela que Greca deu na imprensa”, lamenta.

O prefeito disse ontem em entrevista que as greves deveriam ser como são na Alemanha ou no Japão. “Acho que o funcionalismo tem que funcionar. Nós viemos para servir. Agora, nós respeitamos a reivindicação dos sindicatos, mas eu preferia a greve Alemã, quando as pessoas trabalham dobrado, a greve japonesa. Seria muito mais útil para o Brasil”, afirmou.

Foto: Narley Resende/Paraná Portal

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Argenton  questionou Greca sobre a qualidade do ensino no Brasil em comparação com os países citados. “Só falta ele comparar as condições de trabalho e os salários dos professores daqui com os salários dos professores da Alemanha e do Japão”, disse.

Ainda de acordo com o sindicato, mais de 60% das escolas municipais estão fechadas total ou parcialmente e dez mil professores aderiram à greve. Os educares reivindicam o cumprimento do plano de carreira. “Na propaganda eleitoral ele prometeu que iria honrar isso, com os cargos e salários”, afirmou Wagner Argenton.

A categoria realiza uma manifestação na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico, em Curitiba, a partir das 10 horas de hoje (16).

Rede estadual

A App-Sincato, que representa os professores da rede estadual ainda não tem o levantamento da adesão a greve nesta quinta. Na quarta-feira, durante a greve-geral, a adesão foi de 90% das 2200 escolas estaduais e dos cerca de 120 mil trabalhadores, segundo sindicato. De acordo com o governo do estado, apenas 10% das escolas estão totalmente paralisadas, 35% funcionam parcialmente e 55% normalmente.

De acordo com a assessoria de comunicação da entidade, os educadores conseguiram retomar o diálogo com o Governo durante reunião. “Tivemos um debate com Rossoni, intermediado por Romanelli e o único avanço que tivemos foi conseguir restabelecer o diálogo sobre os itens da resolução”.

A resolução aplicada pelo governo neste ano, reduz as hora-atividades dos professores – período utilizado para produção de provas e correções de trabalho – e aplica uma punição aos educadores que precisaram se afastar do trabalho no último ano, mudando a preferencia de contratação de capacidade para os professores que não pegaram licença em 2016.

Entre as demandas da categoria está os pagamentos atrasados de promoções e progressões, data-base e piso salarial nacional, entre outros itens.

O Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, afirmou que as faltas serão descontadas dos salários dos professores e defendeu que não existe motivo para a greve. “Fizemos apelo à App-Sindicato para não ter greve, não é o momento. Implantamos 75 mil progressões e avanços em janeiro e pagamos 1/3 das férias, coisas que os outros estados não estão fazendo, não cabe greve”, afirmou.

Uma assembleia da categoria para debater sobre a manutenção da greve está marcada para ocorrer na manhã do próximo sábado (18). “A assembleia terá o caráter avaliativo. Democraticamente queremos que a categoria participe e dê sua opinião sobre a greve. Por isso a convocação dos educadores “, afirma Hermes Silva Leão, presidente da APP-Sindicato.

Greve Geral

A greve geral convocada pelos sindicatos contra as reformas trabalhista e da Previdência fechou escolas, paralisou o transporte coletivo e afetou os serviços bancários em Curitiba nesta quarta-feira (15). A coleta de lixo também foi parada, mas deve retornar hoje, assim como os bancos.

De acordo com os manifestantes, 50 mil participaram da marcha; já a Polícia Militar (PM) fala em 7 mil.

Estiveram no protesto professores da rede estadual e municipal, trabalhadores do transporte coletivo da capital e região metropolitana, bancários e funcionários da coleta de lixo. Em menor número protestaram os sindicatos dos agentes penitenciários, da Polícia Civil, da saúde e dos Correios.

Os trabalhadores da educação e do transporte coletivo decidiram manter a greve nos próximos dias – as categorias negociam demandas específicas junto à prefeitura e ao governo do estado.