A cada hora 503 mulheres sofrem agressões físicas

Violência contra criança

No último ano, uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de violência, seja ela física, psicológica ou sexual. Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, aponta que a cada hora 503 mulheres sofrem agressões físicas no Brasil. O tema motivou o debate em um seminário promovido pelo Ministério Público do Paraná, em Curitiba, nesta quarta-feira (22). O encontro com representantes do Poder Público discutiu os desafios da aplicação da Lei Maria da Penha.

Dados do Ministério da Saúde apontam que das quase 600 mil mulheres atendidas pelo órgão em situação de violência, entre 2011 e 2015, aproximadamente seis mil morreram. Destas, pelo menos, 20% foram agredidas mais de uma vez. E o assustador, 70% delas moravam com o inimigo. “As pessoas que deveriam estar tratando com afeto, atuando no sentido solidário, são as que praticam a violência. Infelizmente isso ainda é oriundo de uma cultura patriarcal, machista.”, afirma o coordenador de Proteção aos Direitos Humanos do MP, procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior.

De acordo com o Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no primeiro semestre de 2016 o volume de relatos de violência doméstica e familiar foi 133% maior que o mesmo período de 2015. Os casos chegaram a aproximadamente 58 mil registros.

A Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir as agressões e facilitar a denúncia. “A gente tem que ter claro que a lei por si só não muda a realidade social. O que transforma a realidade é o exercício dos direitos que estão previstos em lei”, ressalta o procurador.

 

Ações no Paraná

No Paraná um juizado especial e centros de apoio em sete regionais foram criados para combater esses índices de violência doméstica. Segundo a coordenadora de Combate a Violência de Gênero do Tribunal de Justiça do Paraná, Lenice Bodstein, é fundamental que o Estado trabalhe no âmbito familiar. “Esses juizados são matéria cível e de matéria criminal. Porque junto vem a família. E tem que acolher a família, as crianças que são sempre muitos atingidas também precisam ser trabalhadas pelas políticas públicas”, reforça.