Apelo contra boatos esbarra em registro de tentativa real de sequestro

Ocorrência foi registrada na Rua Santa Catarina, ao lado do Parque Cachoeira. Reprodução / Google Street View
Ocorrência foi registrada na Rua Santa Catarina, ao lado do Parque Cachoeira. Reprodução / Google Street View

Na semana em que a polícia do Paraná convocou a imprensa para garantir que há uma onda de boatos sobre sequestros de crianças no Estado, uma moradora de Araucária, na Grande Curitiba, diz que dos homens tentaram raptar seus filhos. Anna Paula Konopacki, de 21 anos, relatou que no último domingo (6) dois homens pararam um carro ao lado de seus filhos, um de 4 meses e outra de 2 anos, no bairro São Sebastião, e um dos suspeitos gritou “pega a criança”.

A mãe de Anna Paula, Tereza Esparandiu, de 50 anos, que estava junto no momento, contou que um dos homens desceu do veículo em direção aos bebês que estavam em um carrinho. “Minha filha entrou em desespero, saímos correndo e entramos em uma casa, a criança quase caiu do carrinho”, diz.

A família que voltava de uma panificadora a duas quadras de casa teria sido abordada por volta das 18h. “O nenê fica deitado em cima (do carrinho) e a menina senta embaixo e poe os pés pra dentro do carrinho. Eu estava vindo da panificadora com as crianças, o cara veio devagarzinho, parando, e gritou ‘pega a criança. A gente entrou na casa de desconhecidos, colocou as crianças para dentro do quintal. Era uma casa cheia de homens, graças a Deus”, conta a avó.

Ao ver os homens que saíram para fora da casa, os suspeitos teriam fugido com o carro em alta velocidade. As mulheres chamaram a Polícia Militar que chegou meia hora após a ligação. Rondas foram realizadas na região, mas nenhum suspeito foi encontrado.

Na segunda-feira, dois investigadores da Polícia Civil foram até a casa da família para ouvir os relatos da ocorrência. As mulheres descreveram um homem um moreninho, de baixa estatura, com idade entre 25 e 30 anos.

As duas mulheres moram apenas com as duas crianças. A avó descarta qualquer indício de participação do pai dos bebês, que é separado da filha.

“Ele é amigo da família. Vem em casa sempre, visita as meninas, traz a pensão. Sábado ele vem aqui ficar com as crianças. Ele e minha filha são amigos, separaram numa boa. Quando as crianças ficam doentes ele traz dinheiro. Não tem o que dizer”, garante.

 

Na terça-feira (8) a Polícia Civil fez um apelo para a população não repassar nas mídias sociais notícias falsas de sequestro de crianças. O Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) negou que haja uma quadrilha de sequestradores de crianças atuando no Paraná, boato corrente no Facebook e no WhatsApp nas últimas semanas.

Segundo a unidade, o repasse de informações duvidosas causa pânico e atrapalha investigações.

Apesar disso, a delegacia confirma que além do caso recente de Araucária, uma ocorrência em Curitiba e uma em Campo Largo haviam sido registradas.