Após explosão, presos fogem do Complexo Penal de Piraquara

Foto AEN
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Com Narley Resende – atualizada às 15h20

Dois presos morreram e pelo menos outros 26 fugiram hoje por volta das 5h da madrugada da Penitenciária Estadual de Piraquara I, na região metropolitana de Curitiba. A unidade é um presídio de segurança máxima onde ficam detidos integrantes de facções criminosas, a maioria do Primeiro Comando da Capital. De acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná, um grupo de 15 pessoas armadas atirou contra uma das guaritas e explodiu com dinamites a parte de um dos muros da penitenciária.
Os fugitivos saíram pelo buraco aberto pela explosão. Neste momento, dois presos trocaram tiros com a polícia , foram baleados e morreram.
Equipes do Batalhão de Polícia de Guarda da Polícia Militar, responsável pela segurança na área externa do complexo penal, e do Bope, o Batalhão de Operações Especiais, fazem buscas, mas nenhum foragido foi resgatado. Quatro pessoas, que seriam do grupo que deu cobertura para a fuga, foram presas. Os quatro invadiram uma casa e fizeram uma família refém, mas se entregaram em seguida.

A fuga ocorreu depois de um princípio de rebelião na carceragem da Casa de Custódia, que também fica no Complexo Penal de Piraquara. Segundo o diretor do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo, o tumulto teria sido simulado pelos presos para distrair a atenção da vigilância. Para a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindraspen), Petruska Sviercoski, a fuga tem relação com um movimento organizado de facções criminosas em todo o Brasil.

> PCC é facção criminosa que predomina no Paraná

De acordo com o Sindarspen, a PEP I concentra uma forte atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Além do Batalhão de Polícia de Guarda, responsável pela segurança na área externa do complexo penal, também trabalham na operação de resgate dos presos equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). As duas principais unidades do complexo penitenciário são Penitenciária Estadual de Piraquara I e II. A PEP I é uma penitenciária de segurança máxima, com capacidade para 723 presos condenados. A PEP II tem 960 vagas.

“O clima de paz anunciado pela Secretaria de Segurança nunca foi real. Nós temos um problema muito grande aqui no Paraná que é a presença de organizações criminosas. Inclusive organizações que estiveram envolvidas em movimentos em outros Estados. O sindicato já vem alertando há muito tempo o Depen e a Secretaria de Segurança Pública sobre a questão da insegurança da unidade. Logo que teve esses problemas em outros estados, nós avisamos que o Paraná não estava livre de acontecer isso”, disse Petruska Niclevisk Sviercoski.

Há pouco mais de dez dias, o secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, anunciou ter realizado transferências de presos depois de o serviço de inteligência ter identificado ordens para que líderes do PCC rompessem com Comando Vermelho e outras facções.

Os presos Rodrigo Brizolara e Peterson Luiz Pereira morreram em confronto com a polícia

Na ocasião, o secretário confirmou que o Primeiro Comando da Capital é a facção criminosa de maior poder nas penitenciárias do Paraná. A maior parte dos líderes do PCC fica na PEP I, uma das unidades do Complexo Penal de Piraquara. O presídio tem capacidade para 723 presos condenados.

Secretaria de Segurança confirma números

Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná confirmou a morte de dois presos e a fuga de 28 detentos. Confira a íntegra do comunicado:

“De acordo com informações preliminares, dois detentos foram mortos e quatro pessoas presas durante fuga no Complexo Penitenciário de Piraquara

A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná informa que dois detentos morreram e quatro homens foram presos durante uma fuga neste domingo na Penitenciária Estadual de Piraquara 1 (PEP1). De acordo com as primeiras informações, 28 presos conseguiram fugir.

“Trata-se de uma ação orquestrada há muitos dias, preparada. Apesar disso, a Polícia Militar e o SOE deram uma resposta imediata e eficaz evitando uma fuga em massa. A Polícia Civil vai investigar os envolvidos neste plano de fuga e as forças de segurança do Estado estão agora empenhadas para recapturar os detentos que conseguiram fugir”, avaliou o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita.

A situação já está controlada na unidade prisional e será feita uma contagem geral na unidade prisional, com o apoio do Pelotão de Choque da Polícia Militar.

Por volta das 3 horas da madrugada desta domingo (15), presos da Casa de Custódia de Piraquara (CCP) iniciaram um tumulto para chamar a atenção dos agentes penitenciários. A Polícia Militar e o Setor de Operações Especiais (SOE), do Departamento Penitenciário (Depen) foram acionados para atender a ocorrência — assim como o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), unidade de elite da Polícia Civil.

Perto das 5h30, foram ouvidos dois fortes estrondos na Penitenciária Estadual de Piraquara 1 (PEP1). No local, havia um buraco na muralha, por onde os presos tentavam fugir. Do lado externo da penitenciária, um grupo de aproximadamente 15 homens fortemente armado dava cobertura. Eles entraram em confronto armado com os policiais que estavam nas guaritas e com as equipes que se deslocavam para prestar apoio. A fuga de mais presos foi evitada após as forças de segurança conseguirem acessar o perímetro interno da PEP1.

Durante a varredura, foram encontrados dois mortos na área externa do presídio. Com eles, havia uma metralhadora Uzi 9 mm além de uma bolsa com aproximadamente 300 cartuchos calibre 5,56 e um colete balístico. Os policiais encontraram ainda uma barraca, com alimentos e bebidas, que teria sido usada pelo grupo que deu cobertura para a fuga.

Durante a fuga, quatro homens suspeitos de dar cobertura para a fuga de presos fizeram uma família refém num haras na cidade de Quatro Barras.

Rapidamente, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), unidade de elite da PM do Paraná, chegaram ao local. Os quatro homens acabaram se rendendo.

Com eles, foram apreendidos três fuzis 762 e duas pistolas. As armas apreendidas e os quatro presos foram encaminhados para o COPE.

Os corpos dos dois presos mortos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML).”

Às 15h20, o secretário de Segurança entrou no presídio.