Bolsistas da UFPR seriam ‘laranjas’

Ricardo Marcelo Fonseca
Reitor Ricardo Marcelo Fonseca. Reprodução / TV Band

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

Os 27 beneficiários do dinheiro tirado das bolsas de pesquisa da UFPR (Universidade Federal do Paraná) já prestaram depoimento à PF (Polícia Federal) após o esquema de desvio de R$ 7,35 milhões revelado na última quarta, e boa parte disse ter sido usada como ‘laranja’ no esquema.

Entre 2013 e 2016, os recebedores tiveram depositados em suas contas valores que vão de R$ 17 mil a R$ 739 mil. Alguns deles disseram à PF que o dinheiro foi pagamento por serviços que eles prestaram a Conceição Mendonça, Chefe da Seção de Controle e Execução Orçamentária da PRPPG (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação).

Há pelo menos três depoimentos neste sentido: um homem diz ter prestado serviços advocatícios a Conceição e duas mulheres afirmam terem vendido joias a ela. Os valores recebidos pelas duas supostas vendedoras de joias somam R$ 359,5 mil. Para a advogada que defende uma delas, isso pode significar que Conceição usou parte dos envolvidos para pagar despesas pessoais. “No caso das joias, isso serve para ocultar patrimônio”, disse ela.

O Metro Jornal tem tentado ouvir a versão de Conceição desde a última quarta. Ontem, a informação era de que ela ainda não constituiu defesa. De fato, ainda não há advogados registrados para ela no processo eletrônico.

Pelo menos outros 10 beneficiários, porém, afirmaram ter sido usados como ‘laranjas’: cederam suas contas bancárias para uso do esquema, em troca de pequenos pagamentos – cerca de R$ 300 –, mas nunca ficaram com o ‘grosso’ do dinheiro. Um cruzamento de dados dá força a essa versão: apesar de terem recebido aportes de milhares de reais, estes 10 beneficiá- rios tinham, juntos, menos de R$ 1 mil em suas contas na data da operação.

Desvios foram de 1%, diz reitor

O reitor da UPFR, Ricardo Marcelo Fonseca – que assumiu o cargo em dezembro do ano passado, data posterior aos desvios – admitiu ontem que havia falhas nos mecanismos de controle de fraudes da universidade.

“Dentro de todos os controles que existiam, havia um passo, que as pessoas que eram bastante envolvidas com a parte financeira conheciam, e ali que estava a falha: na inserção de nomes alheios à nossa comunidade universitária para receber auxílios de pesquisa”, explicou à Band TV Curitiba.

Segundo ele, os R$ 7,35 milhões desviados são expressivos, mas representam só 1% do que se distribuiu em bolsas legítimas no período. Mesmo assim, Fonseca prometeu empenho para recuperar os recursos desviados.

“Em um momento em que a universidade sofre uma contenção orçamentária, a gente ter dinheiro desviado, e dinheiro justamente da pesquisa, que nos é tão cara, da produção do conhecimento, é algo que dói”, lamentou.