Cadeia é incendiada no Paraná; promotor desmente boato sobre mortes

Foto está entre as que circulam no Whatsapp come sendo do motim em Palmas.
Foto está entre as que circulam no Whatsapp come sendo do motim em Palmas.

A Polícia Civil abriu inquérito e contabiliza os prejuízos causados por um motim de presos que destruiu parte da Delegacia de Palmas, Sudoeste do Paraná, na divisa com Santa Catarina.

Cerca de 50 presos da carceragem tomaram as galerias na noite dessa segunda-feira (16), queimaram colchões, quebraram portas de celas e destruíram instalações elétricas e hidráulicas.

Fotos de corpos e de detentos feridos em outras rebeliões ocorridas no Brasil este ano circularam na internet como sendo do motim de Palmas. O promotor do Ministério Público local, André Luiz de Araújo, afirma que o caso foi menos grave.

“Não teve ferido, não teve morte, não teve fuga. Não teve refém. Houve destruição de portas de algumas celas, queimaram colchões, aconteceu, mas sequer podemos chamar de rebelião.
Eles quebraram bastante: porta, quebraram objetos, conseguiram acesso ao corredor da carceragem”, esclarece o promotor.

Policiais de Pato Branco (PR) foram chamados para auxiliar na retomada da delegacia. O motim começou por volta das 18h30 e foi totalmente contido às  duas horas da manhã, após transferência de dez presos para a cadeia de Francisco Beltrão.

De acordo com o MP, a delegacia de Palmas abriga 81 presos em um espaço construído para 60 detentos.

As autoridades informaram que os rebelados não apresentaram reivindicação específica. A reportagem apurou que o motim teria sido provocado por um grupo de presos provisórios de uma das celas, detidos recentemente após o assalto a um supermercado. A maioria jovens. Ao quebrarem a porta de uma das celas, outros aderiram ao motim.

A maioria dos presos da delegacia, destinada a presos provisório, é de detentos já condenados em cumprimento de pena.

“Nenhuma reivindicação específica. São provisórios de Palmas. Tinha dois juízes e um promotor acompanhando o motim. Nós acompanhamos as demandas dos presos, fazemos visitas semanais. Eles recebem assistência médica, farmacêutica, etc”, afirma o promotor.

De acordo com a polícia, os reparos na carceragem já estão sendo realizados. Enquanto isso, os suspeitos permanecem sob escolta policial.

Leia a nota da Polícia Civil:

“NOTA SOBRE MOTIM NA DELEGACIA DE PALMAS

Sobre o motim na delegacia de Palmas, Sudoeste do Estado, a Polícia Civil abriu um inquérito policial para apurar a tentativa de fuga e os danos causados pelos presos no local.

O motim iniciou por volta das 18h30 de segunda-feira (15) com os presos de três celas. O ocorrido comprometeu tanto a parte elétrica como hidráulica da carceragem.

No local haviam cerca de 80 presos, sendo 50 com participação direta. Ainda durante a noite, 10 presos foram transferidos ao Sistema Penitenciário.

Uma força-tarefa com policiais civis e militares (da 5ª SDP de Pato Branco e do Batalhão da PM) foi montada para impedir a fuga dos detentos. Os reparos já estão sendo realizados. Enquanto isso, os suspeitos permanecem sob escolta policial.

O Ministério Público, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e o Judiciário acompanharam a ação. Ninguém ficou ferido. A operação se encerrou por volta das 2h da manhã.”