Desvios representam 1% das bolsas, diz reitor da UFPR

Ricardo Marcelo Fonseca
Foto: UFPR

Com Metro Curitiba

O reitor da Universidade Federal do Paraná (UPFR), Ricardo Marcelo Fonseca admitiu que havia falhas nos mecanismos de controle de fraudes da universidade. O reitor assumiu o cargo em dezembro do ano passado, data posterior aos desvios apurados pela Operação Research, da Polícia Federal (PF) – a operação investiga o desvio de cerca de R$ 7,35 milhões da UFPR através de bolsas concedidas a, pelo menos, 27 pessoas que não tinham relação com a instituição.

“Dentro de todos os controles que existiam, havia um passo, que as pessoas que eram bastante envolvidas com a parte financeira conheciam, e ali que estava a falha: na inserção de nomes alheios à nossa comunidade universitária para receber auxílios de pesquisa”, explicou à Band TV Curitiba.

Segundo ele, os R$ 7,35 milhões desviados são expressivos, mas representam só 1% do que se distribuiu em bolsas legítimas no período. Mesmo assim, Fonseca prometeu empenho para recuperar os recursos desviados. “Em um momento em que a universidade sofre uma contenção orçamentária, a gente ter dinheiro desviado, e dinheiro justamente da pesquisa, que nos é tão cara, da produção do conhecimento, é algo que dói”, lamentou.

Zaki Akel

No despacho que autorizou a prisão das servidoras apontadas como líderes do esquema, o juiz responsabiliza o ex-reitor Zaki Akel Sobrinho. “Segundo entendimento da Autoridade Policial, secundado pelo MPF e agora reconhecido como válido por este Juízo, também teriam responsabilidade na fiscalização  da concessão das bolsas que resultaram nos pagamentos indevidos  Luciane Mialik Wagnitz Linczuk (enquanto chefe de auditoria) e Zaki Akel Sobrinho (Reitor da UFPR). Esses detinham a posição de garantes no sentido de que lhes incumbia evitar o resultado criminoso”. Veja o documento na íntegra.

“Os gestores, aqueles que tinham o poder de dirigência dentro da instituição e poderiam ter evitado esse prejuízo de quase R$ 8 milhões aos cofres da União, precisamos apurar para descobrir se essas pessoas agiram, se tomaram alguma providência, prevenção sobre algum tipo de negligência que permitiu esse desvio milionário. Não podemos descartar nenhuma hipótese, embora ainda seja precoce falarmos em um eventual envolvimento direto. No entanto há a possibilidade de responsabilização criminal por omissão nessa situação em que o gestor poderia e deveria agir”, explicou o delegado responsável Felipe Hayashi, em coletiva de imprensa após a operação.

Bolsistas laranjas

Os 27 beneficiários do dinheiro tirado das bolsas de pesquisa já prestaram depoimento à PF e boa parte disse ter sido usada como ‘laranja’ no esquema.

Entre 2013 e 2016, os recebedores tiveram depositados em suas contas valores que vão de R$ 17 mil a R$ 739 mil. Alguns deles disseram à PF que o dinheiro foi pagamento por serviços que eles prestaram a Conceição Mendonça, Chefe da Seção de Controle e Execução Orçamentária da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG).

Há pelo menos três depoimentos neste sentido: um homem diz ter prestado serviços advocatícios a Conceição e duas mulheres afirmam terem vendido joias a ela. Os valores recebidos pelas duas supostas vendedoras de joias somam R$ 359,5 mil. Para a advogada que defende uma delas, isso pode significar que Conceição usou parte dos envolvidos para pagar despesas pessoais. “No caso das joias, isso serve para ocultar patrimônio”, disse ela.

Pelo menos outros 10 beneficiários, porém, afirmaram ter sido usados como ‘laranjas’: cederam suas contas bancárias para uso do esquema, em troca de pequenos pagamentos – cerca de R$ 300 –, mas nunca ficaram com o ‘grosso’ do dinheiro. Um cruzamento de dados dá força a essa versão: apesar de terem recebido aportes de milhares de reais, estes 10 beneficiá- rios tinham, juntos, menos de R$ 1 mil em suas contas na data da operação.

Ontem (16), a informação era de que Conceição ainda não constituiu defesa. De fato, ainda não há advogados registrados para ela no processo eletrônico.