Doze policiais militares vão a juri popular acusados de execução

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Começou nesta quarta-feira (04) e deve ir até o fim de semana o juri popular de doze policiais militares acusados de executar cinco pessoas, em setembro de 2009, na região do Alto da Glória, em Curitiba.

As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial.

Segundo a defesa dos policiais, na abordagem os PMs teriam sido recebidos com disparos. Em entrevista ao Paraná Portal, o advogado de defesa, Claudio Dalledone Jr, destaca as circunstâncias em que o caso ocorreu:  “Nós acreditamos na percepção do estado de guerra que estamos vivendo. São 12 policiais destacados, honrados e condecorados dentro da corporação que vão ter a conduta deles avaliada. Eles sobreviveram diante de um confronto contra cinco perigosos assaltantes e assassinos faccionados. Nesse universo de guerra que estamos vivendo, hoje o policial tem que sobreviver. E eles não só sobreviveram como tiraram de circulação marginais de altíssima periculosidade”, argumentou.

Para o Ministério Público, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. Segundo o promotor Alexandre Ramalho de Farias, nesse caso a polícia agiu como um grupo de extermínio.

“O que temos são diversas provas, especialmente técnicas, que dão conta que essa versão não se sustenta. Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura”, afirmou em entrevista à BandNewsCuritiba.

Segundo o promotor, a execução teria acontecido no bairro Atuba, a mais de 10 quilômetros do local do suposto confronto.

“O rastreamento de algumas viaturas indicam que, depois da rendição, (os policiais) se deslocam até o Atuba, que não é caminho para o Hospital Cajuru, onde as vítimas foram encaminhadas… Lá no Atuba são ouvidos (os disparos) por vizinhos e por um guarda municipal, no mesmo horário e data, cerca de 30-40 disparos”, argumentou.

Em campanha nas redes sociais, colegas dos policiais defendem a atuação do grupo. Entre eles estão deputados e pessoas públicas.

O deputado federal Fernando Francischini defendeu a atuação da polícia: “Como delegado da Polícia Federal, ex-oficial da Polícia Militar e secretário de segurança em vários estados, eu conheço os 12 policiais da Rotan que irão ser julgados pelo Tribunal do Juri em Curitiba que entraram em confronto com uma quadrilha armada que levou a pior e cinco bandidos morreram… A condenação destes jovens que são pais de família teria um efeito devastador nos outros policiais de grupos policiais que estão nas ruas todos os dias se arriscando por nós todos”, argumentou.

O lutador Anderson Silva também gravou um vídeo defendendo o grupo: “São 12 policiais que tem família, 12 policiais que enfrentam diversas situações adversas na rua para proteger a população. Sou contra qualquer tipo de violência policial, sou criado por militares e dentro de casa a gente sempre aprendeu a respeitar a polícia e andar na linha. Esses policiais estavam cumprindo seu dever”, defendeu.

O deputado estadual Gilberto Ribeiro foi enfático: “Quem atira na polícia para matar, tem que levar bala para morrer… antes você ser julgado por sete, do que carregado por seis… eu vou sempre defender, sempre estar ao lado das forças de segurança pública”, afirmou.