“Ela quis matar”, afirma procurador que pediu júri popular contra investigadora

Procurador do MP Marcelo Bauer
Procurador do MP Marcelo Bauzer

O promotor Marcelo Bauzer Correia, do Ministério Público do Paraná (MP), afirmou, em entrevista ao Paraná Portal, que a investigadora da Polícia Civil, Kátia das Graças Belo, teve a intenção de matar quando atirou contra uma festa de confraternização no fim do ano passado, em Curitiba.

Kátia é acusada de matar a copeira Rosária Miranda da Silva, que participava de uma festa próxima ao apartamento da investigadora, que alegou se incomodar com o barulho.

A promotoria do MP quer que ela responda por homicídio doloso, quando há intenção ou se assume o risco de matar, e que o julgamento seja por júri popular, já que o juiz competente nesses casos é o Tribunal do Juri. O procurador esteve no local do crime, ouviu as testemunhas, analisou os laudos periciais e concluiu que a policial tinha total visão da festa e atirou mirando as pessoas que estavam na confraternização.

“Não restaram dúvidas que foi ela quem atirou, até porque ela confessa… ela tinha total visão do que acontecia e fez questão de atirar em meio a aquela confraternização, assumindo o risco de matar quem fosse, inclusive tinham crianças no local… portanto ela sim, ela quis matar”, afirmou.

O procurador afirmou ainda que o fato da investigadora ter treinamento policial para usar a arma de fogo, implica ainda em uma maior consciência do crime que cometeu.

“Se trata de uma pessoa habilitada, uma pessoa que jurou servir e proteger, e jamais usar a arma de fogo contra a própria população. Na posição de policial ela tinha ciência e consciência do que estava fazendo. O policial não é treinado para usar arma de fogo nessas condições, não para atirar contra uma confraternização de natal. Ela ainda atira pedras na casa vizinha, junto com seu namorado, isso está gravado, demonstrado no processo, e volta para casa, pega a arma de fogo e desfere um disparo de arma de fogo totalmente desnecessário, desproporcional”, explicou.

Próximos passos

Cabe ao juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba definir se Kátia será ou não julgada por júri popular.

O assistente de acusação, Ygor Nassar, apontou satisfação com o pedido do MP. “Nós temos o prazo legal de cinco dias para apresentar nossas últimas considerações, mas posso adiantar que ficamos satisfeitos com alegações finais do MP, contentes com o trabalho realizado e acreditamos que ela [a investigadora] vá a juri popular. Não temos dúvidas dos quesitos necessários para o Tribunal do Júri e acreditamos no poder judiciário”, afirmou.

O advogado da policial, Peter Amaro de Sousa, afirmou que vai pedir a absolvição da acusada. “Essa alegação final do MP era esperada, embora ainda tivesse a esperança que ele fosse um fiscal da lei e não um órgão acusador. Nas minhas alegações finais vou pedir improcedência da denuncia com absolvição da acusada por homicídio doloso com pedido de julgamento por homicídio culposo”, disse.

Morte da copeira

No dia 23 de dezembro, no Centro Cívico, a copeira Rosária Miranda da Silva participava de uma festa de fim de ano quando foi baleada na cabeça. Os tiros teriam sido disparados pela investigadora, incomodada com o barulho da festa. A copeira foi levada ao hospital em estado grave, mas morreu no dia 1º de janeiro.

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Rosária deixa um filho. A investigadora teve a arma apreendida, está afastada das funções normais e exercendo apenas serviços internos.



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