Estojo encontrado no local do crime é da arma de policial acusada de matar copeira, diz perícia

Foto: Reprodução / Facebook
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Com informações de Tabata Viapiana

A perícia realizada no estojo balístico encontrado no local em que a copeira Rosaira Miranda da Silva, atingida na cabeça por um tiro no dia 23 de dezembro em uma confraternização com colegas do trabalho, confirmou que a bala foi disparada pela arma da investigadora da Polícia Civil, Kátia das Graças Belo. O laudo foi assinado pela perita Jandira Bolda.

A agente teria se irritado com o barulho e disparado contra a festa. Um dos projéteis atingiu a mulher que chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu ao ferimento.

Em janeiro, a defesa de Kátia alegou que a bala que atingiu a vítima seria de outro atirador, mas não negou que a policial realmente tivesse atirado contra a festa. A investigadora já é ré na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba e responde por homicídio qualificado por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e perigo comum. A pena mínima prevista é de quatro anos de prisão.

Kátia das Graças Belo responde ao processo em liberdade após o juiz Daniel R. Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do júri de Curitiba, ter negado os pedidos de prisão preventiva e de afastamento da investigadora de suas atividades na Polícia Civil.

Juiz nega prisão a policial acusada de matar copeira por barulho em festa

A defesa, no entanto, alega que não é possível concluir, pelo laudo, que o tiro que matou a copeira saiu da arma da investigadora. Segundo o advogado Peter Amaro de Souza, desde o início das investigações, Kátia admitiu ter efetuado um disparo na direção do chão por causa do barulho excessivo da festa. O laudo, na visão de Peter, vai de encontro à versão da defesa, já que o projétil que atingiu a copeira não foi localizado. “Esse laudo confirma o que falamos desde o início. A Kátia confessou que disparou um tiro. Não há nenhuma surpresa ou assombro. O estojo encontrado teria saído da pistola da Kátia”, diz Peter.

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Segundo o advogado Ygor Salmen, que representa a família da copeira, existe a suspeita de que houve alteração da cena do crime pois em depoimento a policial afirmou que dois colegas teriam ido ao local antes da chegada da perícia. Os homens estiveram no local do crime, de acordo com a acusação, antes da perícia, usando colete da polícia civil, carteira funcional da policia civil e uma viatura descaracterizada. Os policiais não são lotados na delegacia de homicídios, de acordo com Salmen.

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O processo contra Kátia ainda está em fase inicial de julgamento. Nesta semana, ela apresentou a defesa prévia – que é a primeira manifestação do réu após a Justiça acolher a denúncia. No documento, os advogados pedem a realização de novas diligências e a apresentação de mais documentos. Além disso, há uma lista com oito testemunhas de defesa.

Um vídeo da câmera de segurança do estabelecimento flagrou o momento em que Rosaira é atingida. Veja:

Crime

Segundo um dos funcionários da lanchonete que cedeu espaço para a empresa que realizava a festa, a policial disparou quatro tiros. “Primeiro ela veio aqui na frente do portão, falou para baixar o som. Desligaram o som, a moça que levou o tiro estava com a sacola na mão cumprimentando as pessoas para ir embora na hora que levou o tiro. As imagens mostram que o som foi desligado. O pessoal disse pra ela (policial) que a festa estava acabando”, conta.

Após a perícia, e relatos de testemunhas que constataram a trajetória da bala, a investigadora foi identificada, mas não estava em casa quando a polícia foi até elá na sexta.

De acordo com o delegado Fabio Amaro, a policial alegou que ficou irritada com o barulho da festa de confraternização na lanchonete, que fica na Rua Mateus Leme, 2366.

A investigadora disse que antes de atirar jogou “bombinhas” para assustar os membros da festa e acabar com o barulho. Sem sucesso, ela teria decidido disparar tiros a esmo e que acertou a cabeça da copeira por acidente.

Estacionamento-onde-acontecia-a-festa“Ela reside em uma casa, próxima ao local onde acontecia a confraternização. Segundo seu relatório, no termo de interrogatório, ela alegou que a festa se iniciou por volta das 19h. Já era por volta de meia-noite e meia, uma hora, e o barulho não cessava. Em razão disso, ela teria anteriormente atirado algumas bombas, bombinhas de fogos de artifício, para que o pessoal ficasse mais tranquilo, diminuísse a entonação se voz”, relata o delegado.

O funcionário que pediu para não ser identificado afirma que a versão não é verdadeira.

“Eu vi nas câmeras. O tiro que veio pega de cheio na cabeça da guria. É mentira dela (da policial) que disse que a bala recocheteou. Ela atirou em cheio. Ela sumiu três dias, pra fugir do flagrante. Tem as marcas de bala aqui. Ela deu dois tiros para cima e dois em direção do povo”, garante.

A janela da casa da policial fica a 70 metros de onde estava a copeira.

De acordo com o delegado, uma árvore impede a visualização de um ambiente para outro. A policial disse que usou a arma para atirar no chão, mas o tiro recocheteou e acertou a vítima.

“Por fim, totalmente transtornada, ela acabou realizando esse gesto impensado ao qual se utilizou da pistola da instituição, colocou a mão, segundo o que ela diz, na janela da casa e, sem olhar, efetuou um disparo para o chão, que segundo diz, recocheteou no muro e acabou atingindo a vítima”, conta.

Rosaira foi atendida pelo Siate. A Polícia Civil só foi acionada quando a vítima já estava internada no hospital.