Juri absolve PMs acusados de execução

Foto: Divulgação/ Assessoria de imprensa
Foto: Divulgação/ Assessoria de imprensa

O juri popular absolveu, na noite desta segunda-feira, os 12 policiais militares acusados de executar cinco pessoas, em setembro de 2009. As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial, mas o Ministério Público do Paraná (MPPR), com imagens de câmeras de segurança e depoimento de moradores, defende outra versão dos fatos.

Na versão da defesa, os policiais estavam em uma perseguição quando o carro dos suspeitos teria batido em uma mureta e acabado parando. Na sequência, os policiais teriam trocado tiros com os cinco homens que acabaram feridos. Em entrevista ao Paraná Portal, o advogado de defesa, Claudio Dalledone Jr, destacou as circunstâncias em que o caso ocorreu.

“Nós acreditamos na percepção do estado de guerra que estamos vivendo. São 12 policiais destacados, honrados e condecorados dentro da corporação que vão ter a conduta deles avaliada. Eles sobreviveram diante de um confronto contra cinco perigosos assaltantes e assassinos faccionados. Nesse universo de guerra que estamos vivendo, hoje o policial tem que sobreviver. E eles não só sobreviveram como tiraram de circulação marginais de altíssima periculosidade”, argumentou.

Para o Ministério Público, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. Segundo o promotor Alexandre Ramalho de Farias, os policiais teriam agido como um grupo de extermínio.

“Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura. […] O rastreamento de algumas viaturas indicam que, depois da rendição, (os policiais) se deslocam até o Atuba, que não é caminho para o Hospital Cajuru, onde as vítimas foram encaminhadas… Lá no Atuba são ouvidos (os disparos) por vizinhos e por um guarda municipal, no mesmo horário e data, cerca de 30-40 disparos”, argumenta Farias, promotor titular que busca sustentar, em plenário, a acusação.

“Demonstramos aqui que a polícia daqui não tem a história da polícia que mata. A polícia daqui é a polícia que protege. É o escudo da sociedade. Somos todos Rotam, somos todos Polícia do Paraná”, disse após a sentença, o advogado dos policiais, Cláudio Dalledone. “O reconhecimento de que não houve nenhum evento no Atuba, demonstra como esses homens agiram. Eles foram absolvidos de fraude processual, foram absolvidos de tudo. Eles voltam para casa e para as fileiras de cabeça erguida”, acrescentou. O advogado concluiu afirmando que a sentença “é um recado para bandido e para assaltante que a Polícia Militar vai sempre trabalhar. A Polícia Militar quando é arrastada para julgamentos é absolvida, porque a população confia na polícia”.

Comandante da operação, o tenente Otávio Lúcio Roncaglio, um dos réus da ação, também comentou a decisão. “Justiça feita. Desde 2009 a gente já sabia que não ia ser fácil, mas tinhamos a certeza de que no final tudo daria certo, porque, para as pessoas de bem, no final tudo dá certo. Não fui só eu e minha equipe que fomos julgados, foi a Polícia Militar, foi o povo do Paraná. E esse apoio que recebemos nestes seis dias mostra que as pessoas estão cansadas da criminalidade, as pessoas querem polícia”