Manifestantes feministas impedem linchamento de suspeito

Tentativa de linchamento
Foto: Narley Resende / Paraná Portal

Um homem suspeito de tentar furtar um carro na tarde deste sábado (7) na Rua João Negrão, Centro de Curitiba, teria sido linchado se manifestantes feministas que faziam uma passeata não tivessem chegado para impedir. “Ele só não morreu porque os manifestantes chegaram”, disse uma testemunha.

Por volta das 13h, o dono do carro viu o homem que tinha acabado de arrombar o veículo e gritou para que chamassem a polícia. O suspeito saiu correndo pelo centro até chegar na Praça Santos Andrade. De acordo com testemunhas, o suspeito foi derrubado por um homem que estava na praça. Neste momento, dezenas de pessoas cercaram o rapaz e começaram a agredi-lo. Uma passeata da Marcha das Vadias chegava na praça em passeata no mesmo momento. O ato começou ao meio-dia na Praça Ozório.

Segundo um dos participantes da manifestação, que pediu para ser identificado apenas como ‘Buba’, assim que os manifestantes chegaram já viram o rapaz correndo.

Colaboração / Repórteres de Plantão

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“Assim que a gente chegou, veio pela João Negrão um cara correndo e umas pessoas atrás dele gritando que ele tinha roubado o carro do cidadão. Quando a gente estava próximo já, na metade da praça, derrubaram ele, foi imobilizado, e a população que estava em volta começou a linchar ele. Nessa tentativa de linchamento, a gente chegou e separou pra que não acontecesse nada de pior”, conta.

Cerca de 50 manifestantes participavam da passeata. Buba afirma que o grupo impediu as agressões para evitar uma tragédia. “Para que as pessoas que eram vítimas não se tornassem tão bandidos quanto ele. Dois erros nunca vão fazer um acerto. Não é por que o cara fez, cometeu um crime, que a gente tem que cometer outro para resolver. Temos um sistema Judiciário, uma polícia, para ele responder por isso”, avalia.

A Polícia Militar chegou seis minutos depois de ser chamada e o suspeito foi preso, colocado dentro da viatura. A vítima da tentativa de furto e duas testemunhas foram acompanharam a polícia até a delegacia para prestar queixa.

Enquanto os policiais prendiam os suspeitos e ouviam testemunhas ainda houve discussão. As pessoas que agrediram o suspeito não foram identificadas.

“A população está tão descrente das instituições e está perdendo o controle da ordem social. Isso gera esses ataques de violência, esses ataques de fúria. A gente não pode também culpabilizar as vítimas”, ressalta.

O furto não foi concluído, já que o proprietário do carro chegou quando o homem ainda estava dentro do veículo. A Polícia Militar não se manifestou sobre o assunto.