Ministério Público vai recorrer da absolvição de médica acusada de adiantar mortes

virginia

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) convocou entrevista coletiva nesta sexta-feira (21) para informar que vai recorrer da decisão que absolveu a médica Virgínia Helena Soares de Souza, acusada de adiantar a morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba, em 2013. A então chefe da unidade foi inocentada pela 2ª Vara do Tribunal do Júri nesta quinta-feira (20).

Com a decisão do juiz Daniel Surdi de Avelar, o processo pode ser encerrado e o caso não será levado a júri popular. Outros sete réus da ação também foram inocentados.

O MP-PR, por meio de recurso, deve reafirmar as acusações, pois considera que as provas não foram devidamente analisadas.

Acusações

Virgínia foi acusada pela antecipação da morte de, pelo menos, sete pacientes, para liberar leitos na unidade. Em 2013, Virgínia chegou a ser presa em uma operação do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra Saúde (Nucrisa), da Polícia Civil. A médica foi acusada, junto com a equipe dela, de homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha.

Defesa

A defesa da médica sustenta que a médica “apenas praticou atos com justificativas em literaturas médicas com objetivo de salvar vidas de pacientes críticos”. Segundo o advogado de Virgínia, Alias Mattas Assad, faltou conhecimento técnico para o julgamento da médica “Pode ser investigado o médico, sim, como todos, mas deve haver delegacias especializadas, peritos especializados, para não acontecer o que aconteceu”, disse em coletiva na manhã desta sexta-feira (21). “As pessoas que morreram naquela UTI morreram”, ressaltou, “Morrer alguém não é crime, matar é crime”.

O advogado também afirmou que a cliente não vai voltar à profissão. Ela pode, agora, receber uma indenização de até R$ 4 milhões pelo caso. A médica ainda deve entrar na Justiça com uma ação contra o Estado por danos morais.