Mulheres sofrem abuso dentro de ônibus em Curitiba

Foto ilustrativa: Gustavo Jordaky - Humans of Curitiba
Foto ilustrativa: Gustavo Jordaky - Humans of Curitiba

“Eu não vou me esquecer, ele não vai esquecer. As outras pessoas, essas, talvez esqueçam”Assim começa o relato de uma mulher de 33 anos na página Humans of Curitiba, após ter sofrido um abuso dentro de um ônibus biarticulado da linha Santa Cândida/Capão Raso, em Curitiba. O suspeito de abusar sexualmente dela, e de outra moça de 22 anos, foi detido na tarde desta sexta-feira (8), pela Polícia Militar do Paraná (PM-PR), depois de o motorista do coletivo fechar as portas e aguardar pelos policiais.

Os crimes aconteceram por volta das 17h (horário de Brasília), na Avenida Sete de Setembro, próximo a Praça Oswaldo Cruz. A vítima conta que sentiu um aperto no bumbum, ficou por alguns instantes sem reação e logo após viu o mesmo homem “se esfregando” na outra jovem.

Eu senti uma mão, apertando minha bunda. Eu sinto e sei, quando tocam sem querer, e não foi o caso. Realmente alguém apertou. […]  Nesse momento sem ação, vi que o homem, se é que podemos chama-lo assim, estava perto e se esfregando em uma menina que aparentava seus 22 anos. Provavelmente ela ficaria travada em seguida. Foi quando eu pensei que aquilo, não podia passar. Em um impulso, fui e dei dois tapas na cara dele e gritei para todos o que estava acontecendo”, relatou.

A mulher termina o desabafo lamentando a omissão das pessoas que estavam no veículo. Segundo ela, apenas um passageiro ajudou a segurar o indivíduo, os demais até xingaram o motorista pela interrupção da viagem.

“As pessoas começaram a xingar o motorista, dizendo que tinham horários, uma outra senhora gritou lá do fundo, dizendo que seu marido estava no hospital e que não podia ficar ali perdendo tempo. A outra menina não quis ficar para ir até o fim. Enquanto nós, nos omitirmos, pensando que o problema não é nosso, isso não terá fim”, ressaltou.

O suspeito foi encaminhado à delegacia, negou a agressão e assinou um termo circunstanciado antes de ser liberado.

 

Confira o depoimento na íntegra:

Dia 8, sexta feira de feriado. 
Eu não vou me esquecer, ele não vai esquecer. As outras pessoas, essas, talvez esqueçam. Dia normal, volta do trabalho, sem problemas. Até que aconteceu comigo.  

Eu estava de pé no ônibus pois eram quase 17 Horas, com o horário do feriado, estava cheio. Eu senti uma mão, apertando minha bunda. Eu sinto e sei, quando tocam sem querer, e não foi o caso. Realmente alguém apertou.  Eu me assustei, por alguns instantes fiquei travada, tremula, não conseguia falar. Aquilo realmente estava acontecendo. 

Nesse momento sem ação, vi que o homem, se é que podemos chama-lo assim, estava perto e se esfregando em uma menina que aparentava seus 22 anos. Provavelmente ela ficaria travada em seguida. Foi quando eu pensei que aquilo, não podia passar. Em um impulso, fui e dei dois tapas na cara dele e gritei para todos o que estava acontecendo. 

Então começou algo inexplicável. Ele tentou escapar, mas o motorista travou as portas e somente um outro homem ajudou a segura-lo. Isso mesmo somente um. As pessoas começaram a xingar o motorista, dizendo que tinham horários, uma outra senhora gritou lá do fundo, dizendo que seu marido estava no hospital e que não podia ficar ali perdendo tempo. 

A outra menina não quis ficar para ir até o fim. Enquanto nós, nos omitirmos, pensando que o problema não é nosso, isso não terá fim. 

Agora ele está em um ônibus, a noite pode estar em uma rua escura. Hoje foi comigo”. (Mais uma vítima, 33 anos).