Não ricocheteou, diz delegado sobre bala que atingiu copeira na cabeça

Caso da investigadora acusada de matar copeira
Foto: Reprodução
Com BandNews FM Curitiba

A reconstituição da morte de Rosária Miranda da Silva concluiu que a bala que matou a copeira pode ter partido da janela da policial Kátia das Graças Belo. Porém, de acordo com a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não é possível afirmar que foi a policial civil quem deu o tiro fatal. De acordo com a perícia, a bala veio da janela da casa de Kátia, ou de uma trajetória semelhante.

O laudo da reconstituição também aponta que o tiro não ricocheteou – ou seja, desviou e atingiu quem não devia – como a policial havia informado. Segundo o DHPP, o objetivo da perícia não foi para dizer quem atirou, e sim, se haveria a possibilidade do tiro ter partido da janela da policial. A reconstituição foi feita por policiais e peritos que estiveram no local onde Rosária Miranda da Silva foi baleada.

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De acordo com a DHPP, a perícia foi feita com um laser, que simulou a trajetória da bala.  Segundo o advogado de Kátia, Peter Amaro de Sousa, uma terceira pessoa pode ter dado o tiro que matou Rosária. “A trajetória é compatível, mas não dá pra se afirmar que foi da janela”, diz o advogado. “Uma coisa que achei muito interessante é que eu contava com o exame de balística, mas parece que o projetil sumiu. Dá margem para a estratégia da defesa ser a correta. Ser uma terceira pessoa pode ter desferido o tiro”, diz Peter Amaro.

O advogado que representa a família de Rosária, Ygor Nasser,  acompanhou a reconstituição, junto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com Nasser, a policial civil tinha visão e ângulo. “A própria policial confirma que deflagrou um tiro da janela. Nós olhamos o local de onde teria sido efetuado o disparo por ela e é nítido que dá visão, uma visão completa, de onde seria a festa que estava sendo realizada da empresa da senhora Rosária. Ela tinha visão e ela tinha conhecimento que ali havia uma festa”, diz Nasser.

Rosária Miranda da Silva morreu no dia 1º de janeiro. No mesmo dia, a juíza Ana Carolina Bartolomei Ramos negou pedido de prisão contra a policial. Em decisão publicada, a juíza afirma no despacho que no Estado Democrático de Direito, tendo em vista a presunção da inocência, a prisão seria excepcional, antes da tramitação do processo.

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O advogado Ygor Nasser acredita que a prisão preventiva de Kátia ainda será decretada. “Nós confiamos no trabalho da Policia Civil do Estado do Paraná. Nós tivemos contato a Corregedoria da Polícia Civil e também tive contato com a senhora Kátia e ela está extremamente abalada… Então, sinceramente, deixamos ao encargo da Polícia Civil. Nós acreditamos na prisão preventiva dela. Acreditamos que ao final do inquérito policial, com o pedido formal realizado pelo delegado Fábio Amaro, será decretada a prisão preventiva dela”, declara o advogado da família da vítima.

O caso

Rosária Miranda participava de uma confraternização da empresa em que trabalhava quando foi atingida por um tiro disparado pela investigadora, que é vizinha da cafeteria onde a festa ocorria. Três dias depois do crime, a policial civil se apresentou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa como autora do disparo. Ela teria se irritado com o barulho e alega que atirou contra o chão.

Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a mulher é atingida. Veja:

Em nota, a Polícia Civil disse que a investigadora foi transferida do Núcleo de Proteção a Criança e Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) – onde trabalhava, para o setor de recursos humanos da corporação, onde vai exercer atividades administrativas.

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O delegado-geral da Polícia Civil, Júlio César dos Reis afirmou em nota que “É inadmissível que um policial civil treinado para servir e proteger tome atitudes que coloquem em risco a proteção da população”. O delegado Fábio Amaro, responsável pela investigação, disse que vai esperar o resultado oficial da perícia, para encerrar o inquérito.