Operação da PF mira fraudes na compra de ações do Panamericano pela Caixa

Polícia Federal
Mariana Ohde e Andreza Rossini

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (19) a Operação Conclave. O objetivo é investigar possível aquisição fraudulenta de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações S.A. (Caixapar). O inquérito apura a responsabilidade de gestores da Caixa Econômica Federal (CEF), além de investigar possíveis prejuízos causados a correntistas e clientes.

O inquérito instaurado apura a responsabilidade de gestores da Caixa Econômica Federal (CEF) na gestão fraudulenta, além de investigar possíveis prejuízos causados a correntistas e clientes.
Cerca de 200 policiais federais estão cumprindo desde as primeiras horas da manhã 46 Mandados de Busca e Apreensão, expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília. “A decisão ainda determinou a indisponibilidade e bloqueio de valores de contas bancárias de alvos das medidas cautelares. O bloqueio alcança o valor total de R$ 1,5 Bilhão”, diz a nota da PF.

Dois dos mandados são cumpridos em Londrina, no norte do Paraná, 30 em São Paulo, seis no Rio de Janeiro, seis em Brasília, um na Bahia e um em Recife.

Durante as investigações, foram identificados alguns núcleos criminosos:

  • o núcleo de agentes públicos:  responsáveis diretos pela assinatura dos pareceres, contratos e demais documentos que culminaram com a compra e venda de ações do Banco Panamericano pela CAIXAPAR e com a posterior compra e venda de ações significativas do Banco Panamericano pelo Banco BTG Pactual S/A;
  • o núcleo de consultorias, contratadas para emitir pareceres a legitimar os negócios realizados;
  • o núcleo de empresários que, conhecedores das situações de suas empresas e da necessidade de dar aparência de legitimidade aos negócios, contribuíram para os crimes em apuração.

Os investigados vão responder por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes que possam vir a ser descobertos. As penas para esses crimes podem chegar a 12 anos de reclusão.

Conclave

O nome da Operação, em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações para transação ocorrida entre o Banco Panamericano e a CAIXAPAR, faz alusão ao ritual que ocorre a portas fechadas entre cardeais na Capela Sistina, na cidade do Vaticano, com a intenção de escolher um novo Papa para a Igreja Católica .