Operação encontra apenas R$ 200 mil de R$7,3 milhões desviados da UFPR

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Da BandNews Curitiba

A Justiça Federal do Paraná determinou, nesta quinta-feira (16) o bloqueio das contas bancárias de 29 pessoas investigadas na operação Research, que apura o desvio de recursos públicos destinados à Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O valor do bloqueio é de até R$ 7.300 milhões. De acordo com despacho do juiz Marcos Josegrei da Silva, responsável pelo caso, os valores fixados têm como parâmetro o dano causado aos cofres públicos pelos desvios de verbas relacionados às práticas criminosas. A Operação Research investiga repasses fraudulentos feitos a pelo menos 27 pessoas sem qualquer vínculo com a instituição.

Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão temporária e 28 pessoas permanecem presas, isso porque um homem, de 72 anos, foi solto depois de ser interrogado. A Polícia Federal (PF) informou que ele apresenta dificuldade de dicção e de locomoção, devido a um acidente vascular cerebral. Duas servidoras da UFPR seriam as responsáveis por encabeçar a fraude e também foram detidas.

Os investigadores constataram que os repasses ilícitos de mais de R$ 7 milhões ocorreram entre os anos de 2013 e 2016. As verbas eram a título de ‘Auxílio a Pesquisadores’; ‘Bolsas de Estudos no País’ e ‘Bolsas de Estudos no Exterior’ a quem não era professor, aluno ou funcionário da instituição. O esquema aconteceu durante a gestão do ex-reitor Zaki Akel Sobrinho, que, na quarta-feira (15), chegou a depor à PF. Ele nega que tinha conhecimento de qualquer ação irregular e disse que determinou o afastamento das servidoras assim que se constataram indícios da fraude.

“Eram servidores de carreira que estavam há muitos anos na função e que no meu entender abusaram da confiança da pró-reitoria e fizeram uma fraude. Trata-se de um crime que agora está sendo investigado. Não posso responder por uma atuação criminosa de pessoas que abusaram do dinheiro público fraudando o sistema. Temos uma operação descentralizada distribuídos nas pró-reitorias, nos setores de ensino, nos nossos hospitais e fazendas”, disse.

Entre os beneficiários estão motoristas, donas de casa, uma cobradora, um taxista e até mesmo uma mulher cadastrada no Bolsa Família. Um auxiliar administrativo, por exemplo, chegou a receber cerca de R$ 739 mil em três anos e um motorista recebeu, aproximadamente, R$ 515 mil no mesmo período. Para o delegado da PF, Felipe Hayashi, ainda não está claro se essas pessoas agiam como “laranjas” ou se, de fato, recebiam o dinheiro ou parte dele. Agora, o objetivo é apurar a responsabilidade de gestores e pró-reitores da UFPR, que foram os responsáveis por aprovar os repasses.

“Universidade não descansará enquanto não recuperar valores desviados”, afirma reitor

A investigação não descarta que o esquema também tenha acontecido em anos anteriores a 2013. O reitor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Marcelo Fonseca, disse que apoia o trabalho da polícia e que tem interesse nas apurações. De acordo com ele, uma sindicância já havia sido aberta em dezembro de 2016 para analisar as irregularidades constatadas.

“Já houve uma suspeita num trabalho anterior que motivou a gente a incluir um plano de trabalho de auditoria e, ao começar a auditoria que tinha outras finalidades, nós descobrimos isso. A partir deste momento paramos para investigar esse caso que é grave”, afirmou.

No dia 06 de fevereiro deste ano, a UFPR publicou uma matéria no site da instituição informando que decidiu instituir um comitê para aperfeiçoar o controle sobre o pagamento de bolsas e auxílios. Os procedimentos, segundo o texto, eram conduzidos por uma comissão formada por dois professores e uma servidora técnico-administrativa e corriam em sigilo, como determina a lei.

A averiguação interna da UFPR tinha prazo de 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60. Ao mesmo tempo em que determinou a abertura da investigação interna, de caráter administrativo, a UFPR comunicou os fatos e encaminhou a denúncia à Polícia Federal, para investigação criminal. A ação da operação Research aconteceu também no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul. Os presos devem responder pelos crimes de associação criminosa e peculato – que consiste no desvio de dinheiro público para proveito próprio.

PF investiga vice-reitora e ex-pró-reitores por desvios