PMs acusados de executar suspeitos começam a depor no Tribunal do Júri

Foto: Claudio Dalledone
Foto: Claudio Dalledone

Com o fim dos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação, o Tribunal do Júri de Curitiba inicia, neste sábado (7), a oitiva com os 12 policiais militares acusados de executar cinco pessoas, em setembro de 2009. As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial, mas o Ministério Público do Paraná (MPPR), com imagens de câmeras de segurança e depoimento de moradores, defende outra versão dos fatos.

Os policiais vão ser ouvidos individualmente. Eles são acusados de homicídio qualificado, por motivo torpe e sem dar defesa às vítimas, e fraude processual por terem supostamente alterado a situação em que o confronto e mortes ocorreram.

O julgamento, que começou na última quarta-feira (4), ouviu o depoimento de 26 testemunhas de defesa e 10 testemunhas de acusação arroladas pelo MPPR. O advogado de defesa dos policiais, Claudio Dalledone, chegou a dispensar testemunhas por entender que elas não trariam nada de novo para o julgamento.

Depois que o Tribunal ouvir todos os réus, a defesa e o MPPR vão fazer uma defesa oral para sustentar suas teses. Depois, os jurados vão se reunir para deliberar sobre o caso e julgar se os policiais são inocentes ou culpados.

Na versão da defesa, os policiais estavam em uma perseguição quando o carro dos suspeitos bate em uma mureta e acaba parando. Na sequência, os policiais teriam trocado tiros com os cinco homens que acabam feridos. Em entrevista ao Paraná Portal, o advogado de defesa, Claudio Dalledone Jr, destaca as circunstâncias em que o caso ocorreu.

“Nós acreditamos na percepção do estado de guerra que estamos vivendo. São 12 policiais destacados, honrados e condecorados dentro da corporação que vão ter a conduta deles avaliada. Eles sobreviveram diante de um confronto contra cinco perigosos assaltantes e assassinos faccionados. Nesse universo de guerra que estamos vivendo, hoje o policial tem que sobreviver. E eles não só sobreviveram como tiraram de circulação marginais de altíssima periculosidade”, argumentou.

Para o Ministério Público, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. Segundo o promotor Alexandre Ramalho de Farias, a versão da defesa não se sustenta e eles agiram como um grupo de extermínio.

“Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura. […] O rastreamento de algumas viaturas indicam que, depois da rendição, (os policiais) se deslocam até o Atuba, que não é caminho para o Hospital Cajuru, onde as vítimas foram encaminhadas… Lá no Atuba são ouvidos (os disparos) por vizinhos e por um guarda municipal, no mesmo horário e data, cerca de 30-40 disparos”, argumenta Farias, promotor titular que busca sustentar, em plenário, a acusação.

Repercussão nas redes sociais

O caso repercutiu nas redes sociais na última semana e os policiais receberam apoio de pessoas públicas, incluindo o deputado federal Fernando Francischini (SD/PR), o deputado estadual Gilberto Ribeiro (PRB/PR) e até o lutador Anderson Silva. “Quem atira na polícia pra matar tem que levar bala pra morrer [sic]”, declarou Ribeiro. Veja as declarações:

Leia também: 

Júri: mortos por PMs eram ligados a facção criminosa, diz oficial
Doze policiais militares vão a juri popular acusados de execução