Rebelião na Penitenciária Feminina teve presas feridas e galerias destruídas

Presas da rebelião do presídio de Piquaquara

Relatório da Inspetoria da Penitenciária Feminina de Piraquara referente à rebelião ocorrida nos dias 9 e 10 de março na unidade aponta que, além da agente de cadeia Ana Paula Valeriano, pelo menos outras cinco presas feriadas e praticamente todos os portões dos cubículos de uma das cinco galerias da unidade destruídos, a ponto de, hoje, uma semana depois do motim, as presas seguirem fora de suas celas, segundo depoimentos de agentes que trabalham no local.

De acordo com o relatório, obtido pelo Paraná Portal, durante o motim, que teve início na galeria C, presas das galerias D e E também conseguiram romper portões e agrediram outras presas do chamado “seguro”, local onde ficam as presas isoladas das demais por situação de risco, seja por rivalidade de organizações criminosas ou por terem praticados crimes não tolerados pelas demais presas. Neste incidente, quatro presas foram feridas com certa gravidade, sendo transferidas para o Complexo Médico Penal.

O documento aponta que, na galeria D, onde estariam detidas as presas que integram o Primeiro Comando da Capital (PCC), as portas de 13 cubículos foram arrancadas e as de outros 14 danificadas a ponto de são se poder fechá-las. Com isso, as presas conseguem circular pela galeria durante todo o dia.

As inspetoras apontam a falta de efetivo e de condições de segurança na penitenciária como causa do motim. “Não obstante, o momento tenso da situação, a falta de condições de segurança, número reduzido de agentes e estrutura da unidade que não permite segurança, as presas da Galeria passaram a se valer da superioridade numérica (eram três agentes penitenciárias para realizar os procedimentos necessários nas galerias B e C que continham, respectivamente, 71 presas na galeria C e 130 na B)”, relatam. Escala de trabalho também obtida pelo Paraná Portal mostra que, no momento do início da rebelião, nove agentes trabalhavam nas galerias, cuidando da segurança de 430 presas.

O relatório ainda aponta situações extremas vividas pela agente de cadeia Ana Paula enquanto ficou sob ameaça das presas rebeladas. “A agente ficou amarrada, com uma presa segurando um caco de vidro pontiagudo de 15 centímetros em seu pescoço, recebendo diversas ameaças e vários chutes e ponta-pés”, diz o documento, que que cita ainda que, por volta das 3h30 da marugada do dia 10, as presas jogaram pela janela de um dos cubículos da Galeria B o colete da agente PSS ensanguentado, com furos em sua estrutura, especificamente nas costas. Neste momento, contam as inspetoras a equipe de negociações suspendeu as tratativas e solicitou que a agente fosse apresentada para verificar sua integridade física, “que, aparentemente, estava em condições normais”, relatam.

Procurada, a Secretaria de Estado de Segurança Pública confirmou que presas foram feridas e levadas para o Complexo Médico Penal e informou que elas já tiveram alta médica, mas o local de sua custódia no momento não pode ser revelado por questões de segurança. Sobre a agente Ana Paula, a secretaria informa que ela apresenta boas condições de saúde e está sendo submetida a tratamento psicológico.

A Secretaria afirma, ainda, que a informação de que apenas nove agentes trabalhavam nas galerias não procede, “o quadro de agentes é satisfatório. São mais de 100 profissionais trabalhando na unidade”, e contesta, também a informação de que presas estariam soltas na galeria D por conta dos danos ocasionados aos portões dos cubículos: “todas as presas estão em celas”.

Questionada se uma agente pode abrir sozinha um cubículo com três presas, a Sesp informou que o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) abriu um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias que resultaram na rebelião.

Escala de trabalho do dia da rebelião na PFP

Escala de trabalho do dia da rebelião na PFP