Vice do PT evita falar sobre expulsão de Palocci do partido

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Foto: Narley Resende / Paraná Portal

Por Mariana Ohde e Narley Resende

O vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Alexandre Padilha, disse, durante entrevista coletiva em Curitiba, nesta quarta-feira (13), que o partido confia na Justiça e que não há provas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que depõe nesta quarta-feira (13), em Curitiba.

O vice-presidente do partido também classificou com uma “coleção de mentiras” o depoimento do ex-ministro Antônio Palocci na mesma ação penal. No dia 6 de setembro, Palocci, que filiado ao PT, confessou que, antes de ser preso pela Operação Lava Jato, atuou para obstruir a Justiça, tentando impedir o avanço das investigações.

Palocci disse também que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou destas articulações. “Em algumas oportunidades, eu me reuni com o ex-presidente Lula e com outras pessoas no sentido de buscar agregar obstáculos à Operação Lava Jato”, disse o ex-ministro no final de seu depoimento.

“Palocci mentiu. O depoimento do ex-ministro Palocci é cheio de mentiras”, disse Alexandre Padilha hoje. “Se alguém achava que o ex-ministro Palocci tinha uma bala de prata, era uma bala de festim. Era mentira. Porque ele não trouxe nenhum registro”, disse. “Aliás, a gente já viu essa situação de delatores depois pedirem desculpas à Justiça ou negarem aquilo que delataram”. Segundo Padilha, Palocci estaria tentando negociar benefícios em relação à sua própria pena.

Expulsão

Sobre uma possível expulsão de Palocci do partido após as delações, Padilha afirma que, se algum militante solicitar uma punição, o PT vai “respeitar seus procedimentos” e vai ouvir todos os envolvidos. O vice-presidente do PT evitou falar sobre a possível punição e apenas classificou as afirmações de Palocci como mentirosas.

Na última semana, o Diretório do PT de Ribeirão Preto enviou uma nota aos militantes em que afirmava que Palocci havia prestado depoimento “sob tortura”. “Esta é mais uma página da continuidade do golpe, tentando fragilizar Lula em seu depoimento no próximo dia 13 na república de Curitiba”, diz o texto.

O Diretório de Ribeirão Preto decidiu aguardar orientação da Executiva Nacional do partido sobre a situação do ex-ministro.

Depoimento em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a Curitiba nesta quarta-feira (13) para prestar depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância. O primeiro depoimento do ex-presidente na capital paranaense aconteceu no dia 10 de maio e foi relativo ao caso triplex.

Lula, desta vez, será ouvido pela acusação de ter recebido, da empreiteira Odebrecht, um terreno de R$ 12,4 milhões destinado a ser a nova sede do Instituto Lula – mudança que acabou não saindo do papel – e mais um apartamento de R$ 504 mil em São Bernardo do Campo.

O depoimento acontece na sede da Justiça Federal em Curitiba, de onde Moro conduz os processos. O depoimento começa às 14h e Lula será o primeiro réu interrogado.

Testemunha

Alexandre Padilha, que é, também, ex-ministro da Saúde, era uma das testemunhas arroladas em ação penal na qual Lula depõe nesta quarta-feira.  Porém, em petição protocolada em junho, a defesa do ex-presidente desistiu da oitiva do ex-ministro.

O depoimento de Padilha estava previsto para as 9h30 do dia 30 de junho e a desistência da oitiva foi comunicada com menos de 36 horas da audiência. Lula também desistiu das oitivas de outras duas testemunhas com depoimentos marcados no mesmo dia: Celso Oliveira Marcondes de Faria e Clara Levint Ant.

Na mesma petição em que requisita o cancelamento do depoimento de Padilha, a defesa do ex-presidente comunicou, ainda, a desistência de ter o ex-ministro Jaques Wagner como sua testemunha de defesa. O depoimento de Wagner estava marcado para o dia 3 de julho.

A defesa justifica que os depoimentos dos ministros versariam sobre questões já foram esclarecidas por outras testemunhas e documentos carreados aos autos.

Padilha e Wagner faziam parte do rol de 87 testemunhas que o ex-presidente Lula indicou no processo.

Alexandre Padilha já havia prestado depoimento em fevereiro na defesa de Lula, no caso do triplex, em que o ex-presidente foi condenado a nove anos.