“Achávamos que o caixa 2 tinha acabado, estávamos enganados”, diz Gilmar Mendes, em Curitiba

Roger Pereira

Participando do lançamento do movimento Votar Bem, lançado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) em parceria com dezenas de outras entidades privadas na noite desta sexta-feira, em Curitiba, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pregou cautela na análise das declarações dos publicitários João Santana e Mônica Moura, que afirmaram, ontem, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, em um dos processos da Operação Lava Jato, que receberam recursos de caixa 2 do PT nas campanhas da presidente Dilma Rousseff e que a prática é comum em todas as campanhas do país. Para Mendes, a declaração no entanto reforça o sentimento de que é preciso uma ampla e profunda reforma política no Brasil.

“A última campanha da presidente Dilma, por exemplo, declarou R$ 360 milhões em arrecadação, o que é um valor bastante alto. Se ainda houve caixa 2, quanto será o custo real de uma campanha? De onde vêm esses recursos?”, questionou. “Tendo em vista os valores declarados, nós supúnhamos que estávamos numa fase de encerramento do caixa 2, até porque havia estímulo para que as empresas fizessem a declaração, mas estamos percebendo que estávamos enganados”, acrescentou. “Agora tudo isso tem que contribuir para a reforma política. A lição é que não dá para ficar como está”, concluiu, lembrando que, do ponto de vista da Justiça eleitoral a confissão de caixa 2 na campanha de 2010 não tem mais nenhum efeito e a suposta prática em 2014 também pouco acrescentará às análises de contas se mantido o impeachment da presidente.

A pouco mais de dois meses das eleições municipais, o presidente do TSE confessou preocupação com as regras que vão reger o processo, como o fim das doações de empresas e os tetos para gastos de campanha. “Achava que primeiro tínhamos que definir que sistema eleitoral vamos escolher para o nosso futuro, para depois debater o modelo de financiamento, mas tivemos essa decisão do STF e vamos para a eleição com esse modelo, o teto para os gastos e a proibição das doações de empresas privadas”, disse. “Vamos ver o que vai acontecer nesta eleição. Eu estou preocupado com a questão do caixa 2 e com os tetos, que podem não ter sido adequados, como na situação dos municípios com teto de R$ 100 mil para prefeitos e R$ 10 mil para vereador. Mas agora tudo está definido e vamos nos empenhar para que a legislação seja cumprida”, ponderou.

Além da questão dos gastos dos custos das campanhas, Gilmar Mendes afirmou que o sistema eleitoral brasileiro está cheio de distorções, e citou como principal exemplo o sistema partidário, “com partidos sem nenhuma representação parlamentar, sem atividade partidária, recebendo recursos do fundo partidário; outros, menores, negociam horário de TV. Acredito que chegamos ao fundo do posso e precisamos fazer uma ampla mudança. Não dá mais para termos 30 partidos, não dá mais para não termos uma cláusula de barreira, não dá mais para ter coligação nas eleições proporcionais”.


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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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