Associação Médica reage a declaração de ministro da Saúde

Ministro Ricardo Barros. Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

A Associação Médica do Paraná emitiu nota de repúdio à declaração do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que afirmou, na última quinta-feira (13), que médicos de unidades de saúde fingem que trabalham. Segundo a AMP, o ministro tenta responsabilizar os médicos pela crise no Sistema Único de Saúde causada, principalmente, pela falta de investimentos federais no setor. Na nota, a Associação defende o investimento mínimo de 10% das receitas da União na saúde e a criação de um plano de carreira para médicos no sistema público, como forma de atrair e fixar profissionais no SUS.

Confira a íntegra da nota

Nota de Repúdio
A Associação Médica do Paraná vem a público manifestar seu repúdio à declaração do ministro da Saúde, o paranaense Ricardo Barros que, na última quinta-feira, ao explicar sua proposta de implementar sistema de biometria para o registro de jornada de trabalho nas unidades de saúde afirmou que o médico vai “parar de fingir que trabalha”.
A AMP vê na declaração uma tentativa do ministro de transferir para o médico a responsabilidade pelos graves problemas que atravessa o Sistema Único de Saúde no Brasil, desestruturado e sem o investimento mínimo por parte do governo federal.
“O grande problema de saúde é que não conseguimos fazer com que o médico fique quatro horas na unidade de saúde. A pessoa que tem problema vai diretamente no hospital, porque lá ele sabe que vai estar o médico”, declarou Ricardo Barros, na quinta-feira.
Não, senhor ministro, o grande problema da saúde é o desinvestimento. A União não cumpre com sua parcela constitucional de 10% das receitas para investimentos em saúde, gerando um sistema deficitário, sem estrutura e sem capacidade financeira para atrair profissionais de saúde para os serviços.
A Associação Médica do Paraná defende o projeto de lei de iniciativa popular SUS + 10, protocolado no Congresso Nacional, com mais de 2 milhões de assinaturas, há dois anos, mas que segue sem tramitação no parlamento. Defende, também, a criação de um plano de carreira para médicos no Sistema Único de Saúde, como forma de angariar e fixar profissionais no sistema.