CPI dos Maus Tratos no Senado vai investigar jogo Baleia Azul, diz senador

Imagem ilustrativa. Reprodução/Facebook
Imagem ilustrativa. Reprodução/Facebook

O senador Magno Malta (PR-ES) afirmou nesta segunda-feira (24) que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus Tratos terá o jogo “Baleia Azul” como um dos focos de investigação. O jogo propõe que crianças e adolescentes cumpram 50 desafios e o último deles é cometer suicídio.

De acordo com Malta, o objetivo é fazer alteração na lei para punir responsáveis pelo jogo. “Nunca comandei nenhuma CPI que não resultasse em projeto de lei, como é exemplo a CPI da pedofilia. Nós vamos melhorar a legislação e ajudar o Ministério Público e delegacias para proteger nossas crianças”, afirmou.

O senador afirmou que o problema é mundial e que a solução depende de acordos internacionais. “Precisamos tratar com embaixadas e ministérios de Justiça.  Aprovamos a lei do “policial sem rosto” para que eles possam navegar com perfis de crianças para encontrar criminosos na internet. Temos que criminalizar as pessoas envolvidas com o jogo, identificar o site, entrar em contato com governos porque é um problema mundial”, disse.

Malta defendeu que a CPI auxilia as delegacias dando agilidade aos processos de investigação. “Temos poder de polícia e de Justiça, podemos quebrar sigilo, pedir condução coercitiva”

Ainda de acordo com o senador, serão realizadas audiências com especialistas para debater sobre o assunto.

Nova suspeita

Um adolescente de 15 anos cometeu suicídio no final da tarde de domingo (23), em Florestópolis, no norte do Paraná. De acordo com a Polícia Civil, ele inalou muita fumaça e foi encontrado pelo pai ainda consciente, foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

A família relatou que o adolescente usava o celular em excesso e que o aparelho estava no painel do carro durante o suicídio.

O aparelho foi apreendido e o caso será investigado pela Polícia Civil.

Baleia Azul

Ao menos três estados brasileiros – Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba – também estão investigando casos de suicídio relacionados ao “Blue Whale”, ou desafio da Baleia Azul. A diferença desses casos para os de Curitiba é que foram registrados isoladamente.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que vai abrir um inquérito para apurar o caso de um adolescente, de 15 anos, encontrado morto em casa, em Belo Horizonte, no último fim de semana. Em Vila Rica (MT), uma adolescente de 16 anos cometeu suicídio na terça-feira, dia 11. Ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava cortes nas coxas e nos braços. Em Pará de Minas (MG), um jovem de 19 anos morreu no dia 12. À polícia, a mãe afirmou que o garoto também estava participando do “Baleia Azul”.

Na Paraíba, a Polícia Militar (PM) abriu no, dia 11, uma investigação para apurar a participação de estudantes de João Pessoa no jogo. As denúncias são de que alunos estariam participando do grupo e já teriam realizados “tarefas” de automutilação.

Já em Curitiba, os casos foram registrados simultaneamente, na madrugada de terça-feira (18). Em nenhum desses registros os jovens consumaram o suicídio. Foram quatro tentativas e quatro mutilamentos. A rede municipal de saúde teria registrado os cinco casos simultâneos entre adolescentes de 13 a 17 anos. Logo depois, durante o dia de terça, outros três casos.

Quatro foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Sítio Cercado, um na UPA Pinheirinho. Segundo a prefeitura, os adolescentes foram atendidos e encaminhados para acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do município. Outro caso foi antendido no Hospital Santa Cruz Batel.

Procurada, a SMS não informou o estado de saúde dos pacientes citados.

Força Tarefa Baleia Azul

Uma força-tarefa foi criada no Paraná para combater a onda de automutilação e tentativas de suicídios entre adolescentes em decorrência do jogo. Participam do grupo o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas e Crime (Nucria), o Núcleo de Crimes Cibernéticos (Nuciber) e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).