Beto Richa disse estar “perplexo” com abertura de inquérito

Foto: Narley Resende / Paraná Portal

Fernando Garcel, com Jordana Martinez

O governador do Paraná, Beto Richa, afirmou estar “perplexo” com a notícia sobre o início de uma investigação contra ele, a partir de uma autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Og Fernandes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a abertura de inquérito por suposto recebimento de propinas em campanhas eleitorais pagas pela empreiteira Odebrecht. A investigação é um desdobramento da Lava Jato pois partiu da delação dos ex-executivos Benedicto Júnior e Valter Lana no âmbito da operação.

Em nota, a assessoria de imprensa do governador afirma que ele não teve acesso a denúncia e ainda não foi notificado sobre a decisão do ministro, mas garante que os recursos que abasteceram as campanhas eleitorais foram lícitos.

“O governador Beto Richa não teve acesso a essa denúncia e ainda não foi notificado da decisão do ministro Og Fernandes. Mas de antemão garante que todos os recursos de suas campanhas de 2008, 2010 e 2014 tiveram origem lícita e em conformidade com a legislação vigente à época, conforme prestação de contas feita à Justiça Eleitoral. Diante disso, o governador recebeu com perplexidade a abertura da investigação. De qualquer forma usará o espaço de sua defesa para esclarecer todos os fatos e espera, com serenidade, que ao final desse processo a verdade e a justiça prevaleçam”, diz a nota.

Em março, Beto Richa já havia negado o recebimento de recursos da Odebrecht ou de empresas ligadas à empreiteira. “Não temos nenhuma doação. Nós temos um comitê financeiro que, em todas as campanhas, é legalmente constituído. Pessoas autorizadas por mim, que fazem parte desse comitê, são as únicas que podem fazer captação de recursos para campanhas eleitorais. Tudo dentro da lei. Todas as doações com origens lícitas. E sempre prestadas as contas, declarado na nossa prestação de contas e aprovado pela Justiça Eleitoral”, disse, ressaltando que o comitê tem pleno conhecimento da legislação.

“Quero dizer que, em todas as campanhas, sempre fui muito cuidadoso com isso. As últimas prestações de contas, inclusive, mereceram reconhecimento pelo detalhamento pelo Tribunal Regional Eleitoral”, afirmou. As investigações referentes aos governadores devem ficar a encargo do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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O pedido de abertura de inquérito partiu do vice-procurador geral da República, José Bonifácio Andrada, na última quarta-feira (14).

Richa foi citado na delação premiada de executivos da empreiteira Odebrecht e está na segunda lista do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de políticos com foro privilegiado que devem ser investigados. Os delatores afirmam que o governador recebeu valores da empreiteira via caixa 2.

O ministro do STJ encaminhou os pedidos de diligências para a Polícia Federal para apurar o caso e determinou sigilo dos autos do processo. Ele será relator do processo por ter relação com crimes eleitorais e que não estão diretamente ligados com as investigações da Lava Jato. O relator da Lava Jato no STJ é o ministro Luis Felipe Salomão.

Esse é o terceiro processo contra Beto Richa em trâmite no STJ. O governador já é investigado no âmbito da Operação Publicano e em um processo que apura licenças ambientais concedidas em Paranaguá.

Delação

O governador do Paraná foi citado pelos delatores e ex-executivos da Odebrecht Benedicto Júnior e Valter Lana. Em depoimento, eles disseram ter feito pagamentos para as campanhas de Beto Richa. Para a campanha de 2014, Richa teria recebido R$ 4 milhões. Nas eleições anteriores, o tucano teria recebido R$ 550 mil.

O codinome do candidato na planilha do Departamento de Operações Estruturadas, setor dedicado ao pagamento de propina da Odebrecht, seria “piloto” e “brigão”.

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