Deputado paranaense no centro da delação da JBS contra Temer

rodrigo rocha loures

Deputado federal desde março, quando substituiu Osmar Serraglio (PMDB), nomeador ministro da Justiça, o paranaense Rodrigo Rocha Loures (PMDB) é homem de confiança do presidente Michel Temer desde os tempos em que dividiram o plenário da Câmara Federal. Com a eleição de Temer para a vice-presidência da República, assumiu o cargo de assessor especial de Temer, função semelhante à que exercia no gabinete presidencial de Temer até voltar para a Câmara. Segundo a delação de Joesley Batista, dono da JBS, foi Loures que tratou diretamente com a empresa a interferência do governo federal em assuntos de interesse da companhia, em troca do pagamento R$ 500 mil semanais em propina.

A família de Loures é dona da Nutrimental, empresa do ramo alimentício. Seu pai, Rodrigo da Costa Rocha Loures, foi presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep)

Segundo reportagem do jornal “O Globo” divulgada nesta quarta-feira (17), o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que Temer indicou Loures para resolver “um assunto” da J&F, a holding que controla a JBS. Depois, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil mandados pelo empresário. A “pendência” da J&F com o governo, segundo Joesley, era uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE, que pertence ao grupo. Loures teria ligado para o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Gilvandro Araújo, para interceder pela J&F. Pelo serviço, Joesley teria oferecido a Loures uma propina de 5%, que teria sido aceita pelo deputado. Depois, Joesley e Ricardo Saud, diretor da JBS, teriam acordado com Loures o pagamento de uma propina de R$ 500 mil semanais por 20 anos –o que totalizaria quase meio bilhão de reais. O deputado teria dito que levaria a proposta a alguém acima dele. Ao menos uma entrega de R$ 500 mil a Loures, feita por Saud, teria sido flagrada pela PF em São Paulo. Joesley, Saud e mais cinco pessoas da JBS devem pagar uma multa de R$ 225 milhões, segundo “O Globo”. A assessoria do deputado Rodrigo Rocha Loures informou que ele está em Nova York, onde participou de palestras com investidores internacionais, e tem retorno programado para esta quinta (18). Segundo a nota, quando voltar, “o deputado deverá se inteirar e esclarecer os fatos divulgados”.