Fachin homologa delação da JBS que envolve Temer e Aécio

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, proprietários do frigorífico JBS, na manhã desta quinta-feira (18).

Dono da JBS gravou Temer dando aval para comprar silêncio de Eduardo Cunha, diz jornal

A homologação dá validade jurídica ao acordo que foi divulgado pelo jornal “O Globo” no início da noite de quarta-feira (17). Agora, a Procuradoria Geral da República (PGR) deve pedir novas investigações com base nos relatos apresentados pelos donos da JBS.

Segundo o jornal, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Lourdes (PMDB-PR) para resolver assuntos da JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Em outra gravação, também de março, o empresário diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”

Em nota, o Palácio do Planalto afirma que o presidente Michel Temer (PMDB) não solicitou nem compactou com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

> “Não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República”, diz Temer em nota oficial

“O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República. O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados”, diz a nota.

Delação envolve Aécio Neves

Na mesma delação, de acordo com O Globo, os empresários também envolvem o senador Aécio Neves (PSDB-MG) na cobrança de propina de R$ 2 milhões. De acordo com a reportagem, o valor seria destinado para pagar advogados que atuam na defesa do senador em processos da Lava Jato, mas o material da delação teria elementos para comprovar que o dinheiro recebido pelos assessores de Aécio tinha outro destino.

> STF determina afastamento de Aécio

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu, também, a prisão de Aécio Neves, porém, o ministro Edson Fachin considerou que esta decisão cabe ao plenário do STF. Fachin determinou apenas o afastamento do mandato e o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.